Gangrena - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Gangrena

As lágrimas de choro há muito não saem, não por não ter vontade de chorar, mas pela miséria que se tornou essa vida ou pelas dores que alfinetam minha cabeça que, às vezes, dá vontade de arrancá-la e jogá-la numa vala comum, mas por ela ser salgada e no contado com a decomposição faz arder a carne em dores que já me fizeram desmaiar, então busco forças para nunca mais chorar e aguentar firme a tristeza no peito aberto, não só pela coragem, mas também pelos punhais de ácido úrico de um passado remoto.

Busco essas forças ao olhar para dentro dessas casas destinadas às divindades imaginárias e fico pensando no sofrimento dessas pessoas, que mal têm o que comer e onde morar e erguem verdadeiras mansões para esses seres que acreditam fielmente que existam e que vão curar suas enfermidades e suas tristezas.

E ver esses seres humanos me entristece e me alegra ao mesmo tempo, pois me dá forças para lutar, por sentir pena delas, e também por saber que não estou tão mal assim perante elas, e que a desgraça desses coitados acaba alimentando minhas esperanças e me faz seguir firme e forte meu resto de vida miserável.

 

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Carli Bortolanza
Gangrena

As lágrimas de choro há muito não saem, não por não ter vontade de chorar, mas pela miséria que se tornou essa vida ou pelas dores que alfinetam minha cabeça que, às vezes, dá vontade de arrancá-la e jogá-la numa vala comum, mas por ela ser salgada e no contado com a decomposição faz arder a carne em dores que já me fizeram desmaiar, então busco forças para nunca mais chorar e aguentar firme a tristeza no peito aberto, não só pela coragem, mas também pelos punhais de ácido úrico de um passado remoto.

Busco essas forças ao olhar para dentro dessas casas destinadas às divindades imaginárias e fico pensando no sofrimento dessas pessoas, que mal têm o que comer e onde morar e erguem verdadeiras mansões para esses seres que acreditam fielmente que existam e que vão curar suas enfermidades e suas tristezas.

E ver esses seres humanos me entristece e me alegra ao mesmo tempo, pois me dá forças para lutar, por sentir pena delas, e também por saber que não estou tão mal assim perante elas, e que a desgraça desses coitados acaba alimentando minhas esperanças e me faz seguir firme e forte meu resto de vida miserável.

 

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