Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Infeliz mente nossa real idade

Fiquei pensando; poucos pensam.

Fiquem pensando enquanto todos dormiam.

Excesso de café nas veias.

Fiquei pensando por alguns instantes; porque todo o café requentado é ruim? Mas o instante passou e continuei passando o café.

Pensando… Um cadáver coberto de café soltaria o aroma da podridão ou o aroma desse pó preto maravilhoso, que pela fermentação da podridão fervê-lo-ia?

Pensando no ser purulento que apodrece o assoalho de madeira nobre de minha casa com sua carne e seu sangue. Morto por sua sede e por ceder sua alma à malandragem da vida noturna furtiva. Morto por uma alta voltagem de eletricidade exposta na fechadura do cofre em minha sala, onde sua mão ainda está grudada, pois ligado a ele há um fio na tomada, que interrompeu sua má ação.

Convidados eu não tenho, por isso apenas uma xícara de café é servido.

O ser que demitido de uma sociedade afortunada adentrou-se nas entranhas de meu lar e torrado pela luz divina eletrocutou-se e cessou sua fome com sua ganância no altar de aço blindado onde o papel rei timbrado fica guardado e nele o fio de luz elétrica descarregando duzentos e vinte volts.

Sua alma seca esvaziou-se dos sentimentos e culpa-nos por roubarmos seus sonhos e seus lares, suas vidas.

Fico pensando; quanto tempo esse resto de humano pobre demorará em ser devorado pelas traças e vermes para eu poder mandar algum escravo desse sistema que manipulo vir limpar essa sujeira imunda?

Se eu desligar a climatização que refresca meu lar, esse corpo morto estendido no chão se deteriorará mais rapidamente?

Fico pensando; enquanto mentalmente reclamo, mas esvazio minha xícara de café requentado e que de hoje em diante, virarei politicamente correto, pois os vermes no cadáver me ensinaram; só passarei o café que beberei naquele instante para não ter que desperdiçar o pó preto desse café que me alimenta com tanto carinho.

 

Carli Bortolanza
Infeliz mente nossa real idade

Fiquei pensando; poucos pensam.

Fiquem pensando enquanto todos dormiam.

Excesso de café nas veias.

Fiquei pensando por alguns instantes; porque todo o café requentado é ruim? Mas o instante passou e continuei passando o café.

Pensando… Um cadáver coberto de café soltaria o aroma da podridão ou o aroma desse pó preto maravilhoso, que pela fermentação da podridão fervê-lo-ia?

Pensando no ser purulento que apodrece o assoalho de madeira nobre de minha casa com sua carne e seu sangue. Morto por sua sede e por ceder sua alma à malandragem da vida noturna furtiva. Morto por uma alta voltagem de eletricidade exposta na fechadura do cofre em minha sala, onde sua mão ainda está grudada, pois ligado a ele há um fio na tomada, que interrompeu sua má ação.

Convidados eu não tenho, por isso apenas uma xícara de café é servido.

O ser que demitido de uma sociedade afortunada adentrou-se nas entranhas de meu lar e torrado pela luz divina eletrocutou-se e cessou sua fome com sua ganância no altar de aço blindado onde o papel rei timbrado fica guardado e nele o fio de luz elétrica descarregando duzentos e vinte volts.

Sua alma seca esvaziou-se dos sentimentos e culpa-nos por roubarmos seus sonhos e seus lares, suas vidas.

Fico pensando; quanto tempo esse resto de humano pobre demorará em ser devorado pelas traças e vermes para eu poder mandar algum escravo desse sistema que manipulo vir limpar essa sujeira imunda?

Se eu desligar a climatização que refresca meu lar, esse corpo morto estendido no chão se deteriorará mais rapidamente?

Fico pensando; enquanto mentalmente reclamo, mas esvazio minha xícara de café requentado e que de hoje em diante, virarei politicamente correto, pois os vermes no cadáver me ensinaram; só passarei o café que beberei naquele instante para não ter que desperdiçar o pó preto desse café que me alimenta com tanto carinho.