A morte é o maior bem da humanidade, quem discordar que morra - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




A morte é o maior bem da humanidade, quem discordar que morra

O azulejo tosco brilha no fundo do túmulo a cor bruta do verniz do caixão de pinho, onde jaz o branco da seda sobre suas vestes de nylon colante que reveste seu corpo escultural.

Os raios solares fazem dar o brilho que seus olhos não podem mais, revelando a sombra de seu amor que ainda, sob as garras da morte, é capaz de demonstrar com seu sorriso enigmático de princesa saudita.

O beijo, que para muitos seria o de despedida, transforma meus olhos num semblante luminoso a clarear o amor sedoso, que a muito nos uniu e que agora; como a um eterno adeus; parece frio e distante, preso pela insegurança de dois destinos distintos e longínquos.

Com nossos lábios tocados num ato de compaixão e remorso, as lembranças penetram profundamente em minha mente, revelando as relações sexuais que sempre vieram logo após o primeiro beijo, e que hoje e nesse beijo, o que era costume, tradição não mais se realizara, e pela primeira vez só haverá o beijo sem em seguida nos amarmos.

Nossos prazeres e excitações ficarão recalcados por força maiores,teremos que esperar a noite chegar, para só então, podermos matar nossos desejos um para com o outro. Sei que estás morta, mas tenho a certeza que não negaria meu amor e que jamais, em vida,impediria de nos amar.

O beijo é quase que separado por seus familiares, que, em seu leito, choram suas últimas lágrimas junto a tão belo ser.
Afasto-me já com as lágrimas de saudades escorrendo pelas maças do rosto e com injúrias e ansiedade no peito, saio sem poder acariciá-la e tocá-la como antigamente.

A cerimônia fúnebre tem sua continuidade e todos àqueles que um dia a conheceram ali estão, passando, um a um, para dar um último adeus. Muitos mal a conheciam, ou fazia anos que nem falavam ou a encontravam, mas ali estavam velando, tentando demonstrar sua tristeza, pura cerimônia de falsa piedade.

Horas se passam e a saudade do beijo aquece meu sangue ao perceber que a hora de colocarem ela no fundo da cova chegou; mas não será sua última morada; todos ali choram num único coro fúnebre, enquanto meus lábios se abrem no mais belo sorriso da alma, pois saberia que tão logo puder, ficaremos a sós, eai então poderemos novamente nos amar, sendo desta vez, sob a proteção da noite fria de outono, e que nesse dia, nem a lua haveria de surgir no céu para atrapalhar nosso íntimo desejo de amar.

Carli Bortolanza
A morte é o maior bem da humanidade, quem discordar que morra

O azulejo tosco brilha no fundo do túmulo a cor bruta do verniz do caixão de pinho, onde jaz o branco da seda sobre suas vestes de nylon colante que reveste seu corpo escultural.

Os raios solares fazem dar o brilho que seus olhos não podem mais, revelando a sombra de seu amor que ainda, sob as garras da morte, é capaz de demonstrar com seu sorriso enigmático de princesa saudita.

O beijo, que para muitos seria o de despedida, transforma meus olhos num semblante luminoso a clarear o amor sedoso, que a muito nos uniu e que agora; como a um eterno adeus; parece frio e distante, preso pela insegurança de dois destinos distintos e longínquos.

Com nossos lábios tocados num ato de compaixão e remorso, as lembranças penetram profundamente em minha mente, revelando as relações sexuais que sempre vieram logo após o primeiro beijo, e que hoje e nesse beijo, o que era costume, tradição não mais se realizara, e pela primeira vez só haverá o beijo sem em seguida nos amarmos.

Nossos prazeres e excitações ficarão recalcados por força maiores,teremos que esperar a noite chegar, para só então, podermos matar nossos desejos um para com o outro. Sei que estás morta, mas tenho a certeza que não negaria meu amor e que jamais, em vida,impediria de nos amar.

O beijo é quase que separado por seus familiares, que, em seu leito, choram suas últimas lágrimas junto a tão belo ser.
Afasto-me já com as lágrimas de saudades escorrendo pelas maças do rosto e com injúrias e ansiedade no peito, saio sem poder acariciá-la e tocá-la como antigamente.

A cerimônia fúnebre tem sua continuidade e todos àqueles que um dia a conheceram ali estão, passando, um a um, para dar um último adeus. Muitos mal a conheciam, ou fazia anos que nem falavam ou a encontravam, mas ali estavam velando, tentando demonstrar sua tristeza, pura cerimônia de falsa piedade.

Horas se passam e a saudade do beijo aquece meu sangue ao perceber que a hora de colocarem ela no fundo da cova chegou; mas não será sua última morada; todos ali choram num único coro fúnebre, enquanto meus lábios se abrem no mais belo sorriso da alma, pois saberia que tão logo puder, ficaremos a sós, eai então poderemos novamente nos amar, sendo desta vez, sob a proteção da noite fria de outono, e que nesse dia, nem a lua haveria de surgir no céu para atrapalhar nosso íntimo desejo de amar.