Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Nada é tão belo quanto a morte em jatos de sangue

Minha secreção novamente começa ao perceber o não amor a sabbat[1].

Perfurando o intuito de não a ver, viajo aos sons alucinógenos, com um profundo enredo vaginal.

O sangue escorre de seu corpo sem coagular em minha garganta.

As partículas se dispersam em plenitude, moralizando meu corpo nefasto.

As vias nasais deixam gotejar o amarelo solar que se dissolve no ar poluído social de um cachimbo tragado por mim.

O sonho da morte torna-se realidade a se concretizar diante de meus esbugalhados olhos dourados pelas chamas da candelária[2].

A pobre criatura já sem força suplica um último suspiro de caramelo.

O espelho a minha frente se parte, acomodando-se em meu cérebro chapado pela existência hipócrita humana, que pouco a pouco deixa de pensar e de existir.

 

 

 

 

[1] Comemoração realizada pelos bruxos (nos antigos rituais) a virada de ano nas épocas das colheitas e lactações dos animais.

[2] Referente ao massacre de 23 de julho de 1993, na Igreja da candelária no centro do Rio de Janeiro.

 

Carli Bortolanza
Nada é tão belo quanto a morte em jatos de sangue

Minha secreção novamente começa ao perceber o não amor a sabbat[1].

Perfurando o intuito de não a ver, viajo aos sons alucinógenos, com um profundo enredo vaginal.

O sangue escorre de seu corpo sem coagular em minha garganta.

As partículas se dispersam em plenitude, moralizando meu corpo nefasto.

As vias nasais deixam gotejar o amarelo solar que se dissolve no ar poluído social de um cachimbo tragado por mim.

O sonho da morte torna-se realidade a se concretizar diante de meus esbugalhados olhos dourados pelas chamas da candelária[2].

A pobre criatura já sem força suplica um último suspiro de caramelo.

O espelho a minha frente se parte, acomodando-se em meu cérebro chapado pela existência hipócrita humana, que pouco a pouco deixa de pensar e de existir.

 

 

 

 

[1] Comemoração realizada pelos bruxos (nos antigos rituais) a virada de ano nas épocas das colheitas e lactações dos animais.

[2] Referente ao massacre de 23 de julho de 1993, na Igreja da candelária no centro do Rio de Janeiro.