O sarcástico sorriso de um demente - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




O sarcástico sorriso de um demente

Do retrovisor clamei para a vê-la! Mas não a vi.

Olhos carnicentos já me fitavam do distante azul do céu.

Coragem, guardem-na para mim, oh viajante embrionário de legiões esquecidas[1].

Cuspes preenchem o banco vazio do camarote de Caronte[2].

Esverdeados olhos cruzam a faixa, observando o vermelho do semáforo.

Esquife lisérgico cobre o nefasto estado das traças de um belo escultural corpo louro[3].

Cabelos sedutores e longos harmonizam com a ingênua face deformada pelo para-brisa assassino.

O para-choque entorta-se ao longo de sua extensão, contra o cimento seco de uma haste, na esquina de seu último altar.

As lágrimas de minha alma acompanham o corpo de minha amada em seu leito eterno. Entre o rígido obelisco e o lustro veículo automotivo; mas as lágrimas não caem; elas secam com as chamas que me queimam a carne presa ao cinto.

Velo com os meus olhos escaldantes a beleza feminina de minha amada a minha frente enquanto seus olhos esbugalhados velam-me em chamas.

 

 

 

[1] Povos da ilha do Hy-Brasil.

[2] Na mitologia Grega, o barqueiro que guia o barco para levar as almas dos recém-mortos.

[3] Referencia a coroas de louro dado aos atletas ganhadores dos jogos olímpicos na Grécia antiga.

Carli Bortolanza
O sarcástico sorriso de um demente

Do retrovisor clamei para a vê-la! Mas não a vi.

Olhos carnicentos já me fitavam do distante azul do céu.

Coragem, guardem-na para mim, oh viajante embrionário de legiões esquecidas[1].

Cuspes preenchem o banco vazio do camarote de Caronte[2].

Esverdeados olhos cruzam a faixa, observando o vermelho do semáforo.

Esquife lisérgico cobre o nefasto estado das traças de um belo escultural corpo louro[3].

Cabelos sedutores e longos harmonizam com a ingênua face deformada pelo para-brisa assassino.

O para-choque entorta-se ao longo de sua extensão, contra o cimento seco de uma haste, na esquina de seu último altar.

As lágrimas de minha alma acompanham o corpo de minha amada em seu leito eterno. Entre o rígido obelisco e o lustro veículo automotivo; mas as lágrimas não caem; elas secam com as chamas que me queimam a carne presa ao cinto.

Velo com os meus olhos escaldantes a beleza feminina de minha amada a minha frente enquanto seus olhos esbugalhados velam-me em chamas.

 

 

 

[1] Povos da ilha do Hy-Brasil.

[2] Na mitologia Grega, o barqueiro que guia o barco para levar as almas dos recém-mortos.

[3] Referencia a coroas de louro dado aos atletas ganhadores dos jogos olímpicos na Grécia antiga.