Olhos, olhos meus, meus olhos - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Olhos, olhos meus, meus olhos

… Os cílios nos olhos com o arame perfuram e penetram.

A pele é o plástico frio e nevoado, mole que se deita na cama comigo todas as noites.

Meus olhos não me cegaram, pois eu vejo o que está para além dos olhos, do ver.

O plástico drástico que eu abraço e beijo com carícia é da boneca inflável.

A sociedade me julga por eu fazer amor com ela todas as noites. Incansável, insaciável.

A boneca que eu mesmo criei, no começo como a uma filha e hoje como uma amante.

Sua flexibilidade não é só do plástico, mas principalmente de seu corpo que apodrece preso dentro de minha boneca.

Carli Bortolanza
Olhos, olhos meus, meus olhos

… Os cílios nos olhos com o arame perfuram e penetram.

A pele é o plástico frio e nevoado, mole que se deita na cama comigo todas as noites.

Meus olhos não me cegaram, pois eu vejo o que está para além dos olhos, do ver.

O plástico drástico que eu abraço e beijo com carícia é da boneca inflável.

A sociedade me julga por eu fazer amor com ela todas as noites. Incansável, insaciável.

A boneca que eu mesmo criei, no começo como a uma filha e hoje como uma amante.

Sua flexibilidade não é só do plástico, mas principalmente de seu corpo que apodrece preso dentro de minha boneca.