Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Útero-Cadavérico-Incestuoso

“Os homens não podem permanecer crianças para sempre; têm de, por fim, sair para a vida ‘hostil’”.

— Sigmund Freud

        …mais ou menos dias, saberíamos o que aconteceria. Afinal, nossos corpos amontoados se esfregando dia-a-dia, uma hora isso certamente aconteceria. Somos humanos e não há como ficarmos indiferentes quanto ao desejo latente e pulsante de dois corpos molhados e grudados pelo desejo de outrem, ainda mais ali juntinhos, quase que abraçados um ao outro.

Ainda bem que somos do sexo oposto. Caso não fôssemos, um de nós dois teria de se virar para podermos desfrutar de nosso desejo que cresce junto aos nossos corpos. E, se virássemos ali, naquele lugar apertado, muitos meses poderiam passar. Sabemos que as membranas que revestem e o próprio útero são flexíveis, contudo, somente à medida que crescemos, e não de uma hora pra outra. E, conforme nos desenvolvemos, mais perto ficamos, mais juntinhos, e cada vez com mais tesão um pelo outro.

Nossos corpos estão quase que cinquenta por cento formados, pois minha parceira — e irmã — já visualiza meu sexo. E como ali os movimentos são demorados, aos pouco ela busca abrir suas pernas para que, conforme crescemos, meu sexo fique próximo ao dela e com isso, daqui a alguns meses, possamos realizar nosso ato carnal.

A placenta que nos alimenta também cresce e acaba formando uma espécie de colchão, que certamente será o suporte macio para nos amarmos. O corpo de nossa mãe parece não nos afetar diretamente, como se parecesse inerte e ou em coma, pois não há solavanco ou algo que nos faça dar o entendimento de estar caminhando, subindo escadas e ou algo semelhante, como abaixar-se ou erguer-se. Também não conseguimos sentir emoções para entender o que se passa lá fora, tal como choro, felicidade, nada que caracterize uma gestante, mesmo o humor alterado.

Enquanto o corpo de nossa progenitora nos deixa em paz, na ausência de bem ou mal, nossos corpos crescem puramente atraídos pelo nosso desejo sexual e cada vez mais próximos de nos “encaixar”, até conseguirmos realizar nosso tão esperado ritual.

E com nossos corpos com oitenta por cento constituídos, e a alguns centímetros um sexo do outro, ficamos pensando como, daqui um ou dois meses, com nossos corpos totalmente formulados, atritaríamos enfim a ponto de completar a penetração. Pois, na posição e desenvolvimento, certamente o pênis crescerá já penetrando a vagina; e quando cem por cento nós estivermos, o membro acariciará a vulva e a nós só restará fricção; dentro-fora.

          Torceríamos que nesse momento nossa mãe subisse ou descesse uma escada; com solavancos faríamos nossos movimentos, apesar de sabermos que sofreríamos com nossos corpos sendo empurrados contra o útero, o qual tenta esticá-los, o que somente internamente é quase impossível, pois não há espaço, sequer forças para tal.

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Carli Bortolanza
Útero-Cadavérico-Incestuoso

“Os homens não podem permanecer crianças para sempre; têm de, por fim, sair para a vida ‘hostil’”.

— Sigmund Freud

        …mais ou menos dias, saberíamos o que aconteceria. Afinal, nossos corpos amontoados se esfregando dia-a-dia, uma hora isso certamente aconteceria. Somos humanos e não há como ficarmos indiferentes quanto ao desejo latente e pulsante de dois corpos molhados e grudados pelo desejo de outrem, ainda mais ali juntinhos, quase que abraçados um ao outro.

Ainda bem que somos do sexo oposto. Caso não fôssemos, um de nós dois teria de se virar para podermos desfrutar de nosso desejo que cresce junto aos nossos corpos. E, se virássemos ali, naquele lugar apertado, muitos meses poderiam passar. Sabemos que as membranas que revestem e o próprio útero são flexíveis, contudo, somente à medida que crescemos, e não de uma hora pra outra. E, conforme nos desenvolvemos, mais perto ficamos, mais juntinhos, e cada vez com mais tesão um pelo outro.

Nossos corpos estão quase que cinquenta por cento formados, pois minha parceira — e irmã — já visualiza meu sexo. E como ali os movimentos são demorados, aos pouco ela busca abrir suas pernas para que, conforme crescemos, meu sexo fique próximo ao dela e com isso, daqui a alguns meses, possamos realizar nosso ato carnal.

A placenta que nos alimenta também cresce e acaba formando uma espécie de colchão, que certamente será o suporte macio para nos amarmos. O corpo de nossa mãe parece não nos afetar diretamente, como se parecesse inerte e ou em coma, pois não há solavanco ou algo que nos faça dar o entendimento de estar caminhando, subindo escadas e ou algo semelhante, como abaixar-se ou erguer-se. Também não conseguimos sentir emoções para entender o que se passa lá fora, tal como choro, felicidade, nada que caracterize uma gestante, mesmo o humor alterado.

Enquanto o corpo de nossa progenitora nos deixa em paz, na ausência de bem ou mal, nossos corpos crescem puramente atraídos pelo nosso desejo sexual e cada vez mais próximos de nos “encaixar”, até conseguirmos realizar nosso tão esperado ritual.

E com nossos corpos com oitenta por cento constituídos, e a alguns centímetros um sexo do outro, ficamos pensando como, daqui um ou dois meses, com nossos corpos totalmente formulados, atritaríamos enfim a ponto de completar a penetração. Pois, na posição e desenvolvimento, certamente o pênis crescerá já penetrando a vagina; e quando cem por cento nós estivermos, o membro acariciará a vulva e a nós só restará fricção; dentro-fora.

          Torceríamos que nesse momento nossa mãe subisse ou descesse uma escada; com solavancos faríamos nossos movimentos, apesar de sabermos que sofreríamos com nossos corpos sendo empurrados contra o útero, o qual tenta esticá-los, o que somente internamente é quase impossível, pois não há espaço, sequer forças para tal.

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