Vermelho 27 - Carli Bortolanza, Miyuki Moon
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Vermelho 27

Dia insano! Todos os dias são insanos, o que nos resta são as poucas horas de escuridão.

Jackborto vivia as margens da cidade a beira de um rio de médio porte, sua casa era coberta por folhas de árvores, mas ninguém sabia do que era feito a armação de seu casebre.

Solitário andava pela floresta margeando a cidade, como se temesse a entrar, e os poucos larápios que se atreviam a invadir seu território simplesmente desapareciam sem deixar provas ou rastros.

Chegou o dia em que o jovem filho do prefeito juntamente com o filho do delegado e alguns demais filhinhos da elite do município de Escaldante, para fugirem do flagra, foram usar drogas na calada da mata, lugar que não os pertencia à noite.

A mata não era um lugar proibido, mas as lendas de desaparecidos à noite na mata eram fatos, pois jamais alguém voltara, ou tinham notícias delas. De dia o lugar servia para piqueniques, e lazeres diversos, mas a noite pertencia a Jackborto.

Com o desaparecimento dos jovens burgueses, o mal deveria ser contido.

No dia seguinte os jovens não foram à escola, a direção entrou em contato com os pais, mas os mesmos não deram muita importância.

Às vezes eles faziam algumas festinhas às escondidas que duravam dias, mas tão logo acabasse o dinheiro e os suprimentos de bebidas eles retornavam querendo mais dinheiro.

A cidade estava calma, como há 15 anos. Na cidadela, as farras desses jovens infernizavam a vila inteira. Com as festas, não se podia dormir tranquilo e com o clarear do dia a população seguia sua rotina de trabalho. Denunciar não podia; já que o delegado era pai de um deles, e sempre passava a mão na cabeça da turma inteira.

Já era noite e nada deles aparecerem, mas os pais nem se preocuparam, e a população da cidadezinha agradecia, pois ao contrário do que se esperava, a noite estava em silêncio, depois de muito tempo, uma noite a mais para dormir em paz.

Dois dias se passaram, e percebendo o silêncio das noites e que seus filhos não voltaram para casa, o prefeito da cidade, junto com o delegado e os pais dos outros jovens, sentiram que algo estava errado, que havia acontecido alguma coisa com eles.

A cidade tinha poucos policiais, e nunca acontecia nada com os munícipes, salvo com ladrões e afins que desapareciam na mata e que nunca mais voltavam.

O alarme de emergência da cidade foi acionado, reunindo o povo na praça onde o prefeito com a primeira dama ao lado discursou sobre o desaparecimento dos queridinhos.

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Carli Bortolanza
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Dia insano! Todos os dias são insanos, o que nos resta são as poucas horas de escuridão.

Jackborto vivia as margens da cidade a beira de um rio de médio porte, sua casa era coberta por folhas de árvores, mas ninguém sabia do que era feito a armação de seu casebre.

Solitário andava pela floresta margeando a cidade, como se temesse a entrar, e os poucos larápios que se atreviam a invadir seu território simplesmente desapareciam sem deixar provas ou rastros.

Chegou o dia em que o jovem filho do prefeito juntamente com o filho do delegado e alguns demais filhinhos da elite do município de Escaldante, para fugirem do flagra, foram usar drogas na calada da mata, lugar que não os pertencia à noite.

A mata não era um lugar proibido, mas as lendas de desaparecidos à noite na mata eram fatos, pois jamais alguém voltara, ou tinham notícias delas. De dia o lugar servia para piqueniques, e lazeres diversos, mas a noite pertencia a Jackborto.

Com o desaparecimento dos jovens burgueses, o mal deveria ser contido.

No dia seguinte os jovens não foram à escola, a direção entrou em contato com os pais, mas os mesmos não deram muita importância.

Às vezes eles faziam algumas festinhas às escondidas que duravam dias, mas tão logo acabasse o dinheiro e os suprimentos de bebidas eles retornavam querendo mais dinheiro.

A cidade estava calma, como há 15 anos. Na cidadela, as farras desses jovens infernizavam a vila inteira. Com as festas, não se podia dormir tranquilo e com o clarear do dia a população seguia sua rotina de trabalho. Denunciar não podia; já que o delegado era pai de um deles, e sempre passava a mão na cabeça da turma inteira.

Já era noite e nada deles aparecerem, mas os pais nem se preocuparam, e a população da cidadezinha agradecia, pois ao contrário do que se esperava, a noite estava em silêncio, depois de muito tempo, uma noite a mais para dormir em paz.

Dois dias se passaram, e percebendo o silêncio das noites e que seus filhos não voltaram para casa, o prefeito da cidade, junto com o delegado e os pais dos outros jovens, sentiram que algo estava errado, que havia acontecido alguma coisa com eles.

A cidade tinha poucos policiais, e nunca acontecia nada com os munícipes, salvo com ladrões e afins que desapareciam na mata e que nunca mais voltavam.

O alarme de emergência da cidade foi acionado, reunindo o povo na praça onde o prefeito com a primeira dama ao lado discursou sobre o desaparecimento dos queridinhos.

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