Viu! A visão não é vista pelas vistas - Carli Bortolanza
Carli Bortolanza
Sou um apaixonado, poeta e louco.
Perpasso entre as metáforas, aforismos e linguagens subliminares.
Da beleza ingênua e pura a feiura nua e crua. Da macies da face à macies da decomposição da carne humana. Vida e ou morte, carícias e ou torturas, são apenas pontos de vistas, vistas de um ponto. A beleza está na cerca que cerca, mas que também pode ser acerca que os prende. Nada é o que parece ser, há sempre um elo perdido nas linguagens ocultas que devem lhe fazer pensar nos conceitos das palavras descritas, pois elas não são o simples, o imediato do que estás a ler. Aprofunda-se, pois não escrevo aos outros, escrevo para orientar o EU obscuro de meu ente, escondido no inconsciente de minhas palavras, afrouxando minha gosma cefálica e dado lugar aos sonhos despertos, revelando minhas insanidades lisérgicas nos caminhos turvos dessa incompreensão desforme e não humana.




Viu! A visão não é vista pelas vistas

Olhos magros, esguio e cabisbaixo.

Sorrio à dor das pálpebras sobre a barba reluzente dos Sirius faltante nas extremidades da órbita ocular.

São sete horas, hora em que o despertador deveria despertar, porém despertou a ansiedade de querer abrir os olhos vazios de luzes e sombras.

A heterocromia escorrega na latrina e as pupilas não se dilatam na destilada cachaça.

O ver não mais enxerga; mas as lágrimas antes de purpurina, agora pustulenta esparramam-se na escuridão da cavidade órbita facial.

Nunca achei que fossem os olhos que vissem o mundo e os arqueiros.

A tristeza que humanos fazem humanos passar, vê-se pela mente, e não pelas bolinhas de gude que enfeitam a cara por trás dos óculos escuros da sociedade vil.

A luta pela visão é a maior do povo, pois devemos abandonar as vistas, para poderem enxergar.

 

Carli Bortolanza
Viu! A visão não é vista pelas vistas

Olhos magros, esguio e cabisbaixo.

Sorrio à dor das pálpebras sobre a barba reluzente dos Sirius faltante nas extremidades da órbita ocular.

São sete horas, hora em que o despertador deveria despertar, porém despertou a ansiedade de querer abrir os olhos vazios de luzes e sombras.

A heterocromia escorrega na latrina e as pupilas não se dilatam na destilada cachaça.

O ver não mais enxerga; mas as lágrimas antes de purpurina, agora pustulenta esparramam-se na escuridão da cavidade órbita facial.

Nunca achei que fossem os olhos que vissem o mundo e os arqueiros.

A tristeza que humanos fazem humanos passar, vê-se pela mente, e não pelas bolinhas de gude que enfeitam a cara por trás dos óculos escuros da sociedade vil.

A luta pela visão é a maior do povo, pois devemos abandonar as vistas, para poderem enxergar.