Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Oração da Cabra Preta

— Não há volta. Minha alma e minha vida já estão fadadas à escuridão. Mas sempre há tempo para levar aqueles que humilharam os outros para o inferno!

Puxei-a pelos cabelos, vendo a delimitação de sua mandíbula.

Peguei a adaga com firmeza e, enquanto eu cortava a pele em torno do pescoço, dizia a ela:

— Retirarei aquilo que é adorado por vocês! A beleza!

O corte foi preciso. Serrei com os dentinhos passando pela lateral, queixo, até chegar à outra banda. A melodia dos gritos de Catarina me deixava anestesiado, feliz por saber que agora eu me tornaria ela. Com a pele solta, enfiei meus dedos entre ela e o osso, e a puxei, revelando a verdadeira face da mulher que ali habitava.

Com o rosto ao léu, Catarina desmaiou. Eu retirei o restante de sua pele e, com uma agulha recém-preparada, costurei seu rosto no meu. A dor das pontadas não me incomodava. Nada me trazia angústia, pois eu estava morto por dentro desde o momento em que minha mãe se foi. Desde o momento em que ela destruiu meu carrinho, afinal, não é porque respiramos que estamos vivos de verdade.

Há mortos vivendo entre nós, há vivos que estão mortos em nossas casas.

E você, está vivo ou morto?

***

4 de Abril de 1988, São Paulo, Rua Apa.

A mulher estava sentada na cama do quarto do Castelinho acompanhada da Cabra preta à frente, fitando seus olhos como se a estivesse hipnotizando. A senhora era negra e estava grávida de oito meses de um menino. Seu marido a tinha abandonado ao saber da gravidez. Por isso, não houve escolha a não ser viver nas ruas à procura de um abrigo, até, enfim, encontrar o Castelinho abandonado, temido por todos os moradores que ouviram a história da família que morrera ali.

A mulher saiu do transe e se segurou na cama. Alisou sua cabeça e voltou sua face para a Cabra, agora inerte, já livre da atmosfera mortal ao redor de si.

— Meu filho fará todas essas coisas? — ela perguntava à cabra, que se afastava para sair pela porta. — Não! Venha até aqui. Venha! Meu filho não pode viver essa desgraça! Eu não posso morrer e deixá-lo aqui para se tornar um monstro!

Você sabe o que fazer, Jurema. Faça o correto. Destrua o mal pela raiz. Só há um caminho e você, como mãe, deve segui-lo.

— Sim! Sim! Eu vou! Agora!

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D. A. Potens
A Oração da Cabra Preta

— Não há volta. Minha alma e minha vida já estão fadadas à escuridão. Mas sempre há tempo para levar aqueles que humilharam os outros para o inferno!

Puxei-a pelos cabelos, vendo a delimitação de sua mandíbula.

Peguei a adaga com firmeza e, enquanto eu cortava a pele em torno do pescoço, dizia a ela:

— Retirarei aquilo que é adorado por vocês! A beleza!

O corte foi preciso. Serrei com os dentinhos passando pela lateral, queixo, até chegar à outra banda. A melodia dos gritos de Catarina me deixava anestesiado, feliz por saber que agora eu me tornaria ela. Com a pele solta, enfiei meus dedos entre ela e o osso, e a puxei, revelando a verdadeira face da mulher que ali habitava.

Com o rosto ao léu, Catarina desmaiou. Eu retirei o restante de sua pele e, com uma agulha recém-preparada, costurei seu rosto no meu. A dor das pontadas não me incomodava. Nada me trazia angústia, pois eu estava morto por dentro desde o momento em que minha mãe se foi. Desde o momento em que ela destruiu meu carrinho, afinal, não é porque respiramos que estamos vivos de verdade.

Há mortos vivendo entre nós, há vivos que estão mortos em nossas casas.

E você, está vivo ou morto?

***

4 de Abril de 1988, São Paulo, Rua Apa.

A mulher estava sentada na cama do quarto do Castelinho acompanhada da Cabra preta à frente, fitando seus olhos como se a estivesse hipnotizando. A senhora era negra e estava grávida de oito meses de um menino. Seu marido a tinha abandonado ao saber da gravidez. Por isso, não houve escolha a não ser viver nas ruas à procura de um abrigo, até, enfim, encontrar o Castelinho abandonado, temido por todos os moradores que ouviram a história da família que morrera ali.

A mulher saiu do transe e se segurou na cama. Alisou sua cabeça e voltou sua face para a Cabra, agora inerte, já livre da atmosfera mortal ao redor de si.

— Meu filho fará todas essas coisas? — ela perguntava à cabra, que se afastava para sair pela porta. — Não! Venha até aqui. Venha! Meu filho não pode viver essa desgraça! Eu não posso morrer e deixá-lo aqui para se tornar um monstro!

Você sabe o que fazer, Jurema. Faça o correto. Destrua o mal pela raiz. Só há um caminho e você, como mãe, deve segui-lo.

— Sim! Sim! Eu vou! Agora!

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