A Oração da Cabra Preta - D.A. Potens
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Oração da Cabra Preta

Jurema saiu de lá com sua bolsa mastigada. A noite estava fresca e a lua brilhava cheia como o sol. A rua estava vazia como sempre, exceto pelas crianças carentes que brincavam à noite. A mulher olhou de um lado para o outro, avaliando se estava sendo vigiada por alguém. Andou insidiosamente, atentando-se ao barulho de seus passos, e virou a esquina; andou mais alguns metros e adentrou a Rua Irineus. Ela procurava pela casa mais bela do bairro, até encontrar o imóvel pintado de cinza com o nome Vernete talhado na plaquinha de metal da caixa de correios.

Jurema retirou de sua bolsa uma adaga e a deixou escondida em seu bolso.

Ela bateu palmas.

Uma… Duas… Três…

Uma mulher loira de olhos azuis saiu da casa com um olhar repreensivo, tentando identificar quem era a louca capaz de bater na sua residência em plena meia-noite. Os olhos da dona estavam semicerrados de sono, mas podiam enxergar a aparência depreciada de Jurema surgir na penumbra.

— Quem é? O que deseja? — ela perguntou.

Jurema fingiu passar mal e caiu no chão, segurando a barriga como se protegesse seu filho. A mulher, vendo que a outra estava carregando uma criança em seu ventre, gritou pelo marido, abriu o portão e a segurou em seus braços.

— Respire… Respire… — pedia com gentileza e calma.

A mulher negra fechou os olhos e cochichou algo quase inaudível. Cassandra Vernete aproximou seu ouvido de Jurema, perguntando do que ela precisava. As palavras eram imprecisas, contudo, quando ela abriu os olhos, Cassandra pôde ouvir o que saía de sua boca…

A Cabra Preta lhe espera soltar gritos de pavor…

Em um golpe único, a mãe de Ricardo acertou a jugular de Cassandra com a adaga e puxou, rompendo sua artéria e veias, sabendo que daquela mulher nasceria a responsável por destruir a vida de seu filho: Catarina.

Jurema se levantou, vendo a mulher se debater, e saiu correndo, entrando nas ruas da noite para que seu filho fosse salvo. Ela sorria, gargalhava, ainda que suja de sangue, despertando os moradores ao redor. Você pagará pela sua heresia. Jamais fará mal a outra menina que não seja Catarina! Não demorou muito para que a polícia chegasse ao local. Porém, mesmo após meses de investigação, Jurema nunca foi encontrada.

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D. A. Potens
A Oração da Cabra Preta

Jurema saiu de lá com sua bolsa mastigada. A noite estava fresca e a lua brilhava cheia como o sol. A rua estava vazia como sempre, exceto pelas crianças carentes que brincavam à noite. A mulher olhou de um lado para o outro, avaliando se estava sendo vigiada por alguém. Andou insidiosamente, atentando-se ao barulho de seus passos, e virou a esquina; andou mais alguns metros e adentrou a Rua Irineus. Ela procurava pela casa mais bela do bairro, até encontrar o imóvel pintado de cinza com o nome Vernete talhado na plaquinha de metal da caixa de correios.

Jurema retirou de sua bolsa uma adaga e a deixou escondida em seu bolso.

Ela bateu palmas.

Uma… Duas… Três…

Uma mulher loira de olhos azuis saiu da casa com um olhar repreensivo, tentando identificar quem era a louca capaz de bater na sua residência em plena meia-noite. Os olhos da dona estavam semicerrados de sono, mas podiam enxergar a aparência depreciada de Jurema surgir na penumbra.

— Quem é? O que deseja? — ela perguntou.

Jurema fingiu passar mal e caiu no chão, segurando a barriga como se protegesse seu filho. A mulher, vendo que a outra estava carregando uma criança em seu ventre, gritou pelo marido, abriu o portão e a segurou em seus braços.

— Respire… Respire… — pedia com gentileza e calma.

A mulher negra fechou os olhos e cochichou algo quase inaudível. Cassandra Vernete aproximou seu ouvido de Jurema, perguntando do que ela precisava. As palavras eram imprecisas, contudo, quando ela abriu os olhos, Cassandra pôde ouvir o que saía de sua boca…

A Cabra Preta lhe espera soltar gritos de pavor…

Em um golpe único, a mãe de Ricardo acertou a jugular de Cassandra com a adaga e puxou, rompendo sua artéria e veias, sabendo que daquela mulher nasceria a responsável por destruir a vida de seu filho: Catarina.

Jurema se levantou, vendo a mulher se debater, e saiu correndo, entrando nas ruas da noite para que seu filho fosse salvo. Ela sorria, gargalhava, ainda que suja de sangue, despertando os moradores ao redor. Você pagará pela sua heresia. Jamais fará mal a outra menina que não seja Catarina! Não demorou muito para que a polícia chegasse ao local. Porém, mesmo após meses de investigação, Jurema nunca foi encontrada.

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