A Oração da Cabra Preta - D.A. Potens
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Oração da Cabra Preta

Após a morte da mãe devido a um atropelamento, o jovem abandonou seu barraco, abrigando-se em segredo no Castelinho da Rua Apa, onde foi salvo pelos muros quando seu brinquedo fora atacado. A fome outrora sentida se multiplicou como peixes de um coral, seus olhos observavam todos os dias as crianças que lhe judiaram crescerem enquanto ele já não suportava ser quem era. Em pouco tempo, era capaz de matar ratos para se alimentar junto com os restos deixados nas ruas. Passando despercebido quando precisava; apesar de ser grande o bastante para ocupar o espaço equivalente a três pessoas. Somente mais uma sombra humana esquecida pelos “deuses”.

Essas pessoas são interessantes. Venha comigo. Aquele homem ali do outro lado da rua tem uma amante, você sabia? Eu descobri quando o vi fechando o barzinho, para depois se dirigir à casa amarela do terceiro quarteirão abaixo. Mas o que eu gosto mais de ver mesmo é a menina Catarina. Ela é tão bonita, popular, seguida por muitos rapazes. Gosto de me masturbar enquanto a vejo se pegar com eles, com movimentos tão selvagens. Eles são bonitos também.

Eu queria saber como é beijar. Dizem que é gostoso. Uma vez tentei com uma moça; ela gritou e me chutou, chamando-me de monstro.

Talvez fosse bom. Você não acha? Cansei de ficar aqui olhando o pessoal ser feliz, do parapeito da janela. Ninguém olha para cá senão para se assustar. Dizem que eu sou um tipo de encosto. Não sei se isso é bom ou ruim…

Ele adentrou novamente o castelinho e sentou-se em uma velha cama forrada de papelões. Retirou alguns restos da sua sacola e os comeu, olhando o teto podre de passos vazios. Após isso, sentiu a temperatura do ambiente abaixar. Seus braços tremeram e um ruído veio do corredor que dava acesso ao seu quarto.

Ricardo ficou quieto e continuou a comer. 

— Você está aí? — perguntei.

Os ruídos ecoaram mais fortes, seguidos de um arraste grave contra a madeira do chão. O homem se levantou e olhou a penumbra que vinha do caminha ao seu lado. A escuridão da tarde o engolia aos poucos, levando-o para o seu aconchego pessoal.

Os passos tiniram como copos de cristal sendo dedilhados e, por fim, na janela do alto do quarto do piso superior, o homem podia ver Catarina andando junto com seus amigos, gargalhando, sorrindo como sempre estivera. Ele chupou os dedos para retirar o restante de óleo de frango deixado em uma velha marmita, e sorriu como sempre fazia, tocando seu corpo com voracidade. Sentindo as coxas, barriga e peitos grandes.

— Ela vai ser minha!                      

Por fim, a porta se abriu e eu entrei. No pensamento de Ricardo, ele ficou feliz por sentir minha presença. Há tantos anos eu fui abrigada a surgir e aqui estou cuidando deste miserável.

A cabra chegou. Ela está aqui. Fico alegre, mas, às vezes, fico triste também.

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D. A. Potens
A Oração da Cabra Preta

Após a morte da mãe devido a um atropelamento, o jovem abandonou seu barraco, abrigando-se em segredo no Castelinho da Rua Apa, onde foi salvo pelos muros quando seu brinquedo fora atacado. A fome outrora sentida se multiplicou como peixes de um coral, seus olhos observavam todos os dias as crianças que lhe judiaram crescerem enquanto ele já não suportava ser quem era. Em pouco tempo, era capaz de matar ratos para se alimentar junto com os restos deixados nas ruas. Passando despercebido quando precisava; apesar de ser grande o bastante para ocupar o espaço equivalente a três pessoas. Somente mais uma sombra humana esquecida pelos “deuses”.

Essas pessoas são interessantes. Venha comigo. Aquele homem ali do outro lado da rua tem uma amante, você sabia? Eu descobri quando o vi fechando o barzinho, para depois se dirigir à casa amarela do terceiro quarteirão abaixo. Mas o que eu gosto mais de ver mesmo é a menina Catarina. Ela é tão bonita, popular, seguida por muitos rapazes. Gosto de me masturbar enquanto a vejo se pegar com eles, com movimentos tão selvagens. Eles são bonitos também.

Eu queria saber como é beijar. Dizem que é gostoso. Uma vez tentei com uma moça; ela gritou e me chutou, chamando-me de monstro.

Talvez fosse bom. Você não acha? Cansei de ficar aqui olhando o pessoal ser feliz, do parapeito da janela. Ninguém olha para cá senão para se assustar. Dizem que eu sou um tipo de encosto. Não sei se isso é bom ou ruim…

Ele adentrou novamente o castelinho e sentou-se em uma velha cama forrada de papelões. Retirou alguns restos da sua sacola e os comeu, olhando o teto podre de passos vazios. Após isso, sentiu a temperatura do ambiente abaixar. Seus braços tremeram e um ruído veio do corredor que dava acesso ao seu quarto.

Ricardo ficou quieto e continuou a comer. 

— Você está aí? — perguntei.

Os ruídos ecoaram mais fortes, seguidos de um arraste grave contra a madeira do chão. O homem se levantou e olhou a penumbra que vinha do caminha ao seu lado. A escuridão da tarde o engolia aos poucos, levando-o para o seu aconchego pessoal.

Os passos tiniram como copos de cristal sendo dedilhados e, por fim, na janela do alto do quarto do piso superior, o homem podia ver Catarina andando junto com seus amigos, gargalhando, sorrindo como sempre estivera. Ele chupou os dedos para retirar o restante de óleo de frango deixado em uma velha marmita, e sorriu como sempre fazia, tocando seu corpo com voracidade. Sentindo as coxas, barriga e peitos grandes.

— Ela vai ser minha!                      

Por fim, a porta se abriu e eu entrei. No pensamento de Ricardo, ele ficou feliz por sentir minha presença. Há tantos anos eu fui abrigada a surgir e aqui estou cuidando deste miserável.

A cabra chegou. Ela está aqui. Fico alegre, mas, às vezes, fico triste também.

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