Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Oração da Cabra Preta

Catarina tem tanta coisa. E já fez muita coisa ruim por isso. Vou te contar algumas coisinhas sobre ela. Mas você tem que ficar caladinha, Cabra Preta!

Catarina Vernete é filha do moço que tem um mercadinho, que vendia comida para a mamãe. Mas a menina é ruim, apesar de ser bonita. Ela me desprezou, me chamou de macaco, e eu, mesmo apaixonado por ela, tentei declarar esse calor dentro de mim, embora a única coisa que eu recebesse fosse a tiração de sarro.

Você, cabra, disse para eu me despreocupar. Mas eu não consegui parar de chorar. Minha barriga roncava. E Catarina continuava transando com vários homens diferentes na casinha ao lado da minha. Eles eram bonitos, os corpos pareciam ser muito duros.

Já o meu parece geleia.

Acho que as pessoas não gostam de geleia.

Eu te entendo. É hora de você decidir seu destino. Ricardo, e o que você deseja?

— Eu quero a destruição dessa vadia desgraçada! Você se lembra de quando ela riu de mim? Ela fez eles me espancarem! Ela está indo para o quartinho! Ajude-me!

Humanos são assim, podres. Você sabe o que fazer, não sabe?

— Sim, sim — respondi, correndo para pegar o que ela queria. — Vou te chamar aqui e ela terá o que merece.

Você trouxe o que eu pedi da última vez?

— Sim. Aqui. — Corri, peguei uma caixa quadrada embaixo da cama e a abri. — Oi, cabeça bonitinha! Era isso o que você queria. A cabeça do João, o primo da Catarina.

Sim, Ricardo. Agora me chame. Vamos brincar. Você terá seu momento agora. Leia o texto que eu te ditei há dez anos. Porque agora você possui vontade o suficiente.

— Sim! — respondi e peguei o papelzinho da minha bermuda.

Respirei, inspirei e gritei, batendo o pé esquerdo no ritmo:

— Cabra Preta milagrosa, que pelo monte subiu, trazei-me Catarina, que de minha mão sumiu. Catarina, assim como o galo canta, o burro rincha, o sino toca e a cabra berra, assim tu hás de andar atrás de mim!

A sombra negra está bufando e arrastando o pé atrás da cama.

Os vidros da janela começaram a quebrar.

Ele está vindo. Finalmente, ela está vindo.

Assim como Caifás, Satanás, Ferrabrás e o Maioral do Inferno; que fazem todos dominar; fazei Catarina se dominar, para me trazer cordeiro, preso debaixo do meu pé esquerdo!

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D. A. Potens
A Oração da Cabra Preta

Catarina tem tanta coisa. E já fez muita coisa ruim por isso. Vou te contar algumas coisinhas sobre ela. Mas você tem que ficar caladinha, Cabra Preta!

Catarina Vernete é filha do moço que tem um mercadinho, que vendia comida para a mamãe. Mas a menina é ruim, apesar de ser bonita. Ela me desprezou, me chamou de macaco, e eu, mesmo apaixonado por ela, tentei declarar esse calor dentro de mim, embora a única coisa que eu recebesse fosse a tiração de sarro.

Você, cabra, disse para eu me despreocupar. Mas eu não consegui parar de chorar. Minha barriga roncava. E Catarina continuava transando com vários homens diferentes na casinha ao lado da minha. Eles eram bonitos, os corpos pareciam ser muito duros.

Já o meu parece geleia.

Acho que as pessoas não gostam de geleia.

Eu te entendo. É hora de você decidir seu destino. Ricardo, e o que você deseja?

— Eu quero a destruição dessa vadia desgraçada! Você se lembra de quando ela riu de mim? Ela fez eles me espancarem! Ela está indo para o quartinho! Ajude-me!

Humanos são assim, podres. Você sabe o que fazer, não sabe?

— Sim, sim — respondi, correndo para pegar o que ela queria. — Vou te chamar aqui e ela terá o que merece.

Você trouxe o que eu pedi da última vez?

— Sim. Aqui. — Corri, peguei uma caixa quadrada embaixo da cama e a abri. — Oi, cabeça bonitinha! Era isso o que você queria. A cabeça do João, o primo da Catarina.

Sim, Ricardo. Agora me chame. Vamos brincar. Você terá seu momento agora. Leia o texto que eu te ditei há dez anos. Porque agora você possui vontade o suficiente.

— Sim! — respondi e peguei o papelzinho da minha bermuda.

Respirei, inspirei e gritei, batendo o pé esquerdo no ritmo:

— Cabra Preta milagrosa, que pelo monte subiu, trazei-me Catarina, que de minha mão sumiu. Catarina, assim como o galo canta, o burro rincha, o sino toca e a cabra berra, assim tu hás de andar atrás de mim!

A sombra negra está bufando e arrastando o pé atrás da cama.

Os vidros da janela começaram a quebrar.

Ele está vindo. Finalmente, ela está vindo.

Assim como Caifás, Satanás, Ferrabrás e o Maioral do Inferno; que fazem todos dominar; fazei Catarina se dominar, para me trazer cordeiro, preso debaixo do meu pé esquerdo!

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