Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





A Oração da Cabra Preta

Eu a segurei pelo cabelo e olhei seus olhos azuis.

— Você não sentiu NADA quando mandou aqueles garotos me destruírem. Pensava? Vamos, diga a verdade!

Sabendo que eu não a deixaria titubear, ela respondeu:

— Eu não pensei…

No segundo seguinte, eu a soquei até que ela desmaiasse. Coloquei seu corpo dentro de um saco e o carreguei para dentro do meu Castelinho, onde ela teria seus pecados expurgados em nome da minha justiça. Isso eu chamava de punição divina, já que eu não fazia nada senão pela vontade do próprio céu. Aqui se faz; aqui se paga. Olho por olho, dente por dente, até que todos aqueles que não possuem misericórdia com os mais pobres e fracos fiquem cegos e banguelas.

***

Catarina estava sentada na cadeira do meu quarto, amarrada com as cordas que há muito eu guardei em meu armário. Sua boca estava amordaçada, porém, ainda conseguia gemer de medo quando eu cortei meu dedo e escrevi um pentagrama em seu peito, entoando a Oração da Cabra Preta para que eu tivesse sanidade o suficiente para puni-la. Ao passo que minha voz acelerava nos últimos versos, eu corria para perto da vadia somente para assustá-la. Até que senti um braço segurar meu pulso, puxando-me para trás. Ao virar, só vi olhos vermelhos em meio à escuridão.

— Não! Ainda não!

Agora ela será tua.

Afastei-me da cadeira onde Catarina estava e fiquei no canto, vendo a luz da lua iluminar seu rosto. O ar frio assoviou, os cascos rasparam no chão e só então o rosto da cabra surgiu, rodeando a mulher como se fosse devorá-la.

O animal ergueu as patas e urrou, cravando os cascos em suas coxas.

Esse era o sinal.

Agora, meu desejo seria realizado.

Finalmente!

… EU PODERIA SER ELA!

Levantei-me, puxei uma cadeira ao lado e fiquei de frente para a infeliz. Tirei a mordaça de sua boca, deixando-a respirar mais forte, e fitei seus olhos azulados, procurando uma chama de humanidade em sua alma.

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D. A. Potens
A Oração da Cabra Preta

Eu a segurei pelo cabelo e olhei seus olhos azuis.

— Você não sentiu NADA quando mandou aqueles garotos me destruírem. Pensava? Vamos, diga a verdade!

Sabendo que eu não a deixaria titubear, ela respondeu:

— Eu não pensei…

No segundo seguinte, eu a soquei até que ela desmaiasse. Coloquei seu corpo dentro de um saco e o carreguei para dentro do meu Castelinho, onde ela teria seus pecados expurgados em nome da minha justiça. Isso eu chamava de punição divina, já que eu não fazia nada senão pela vontade do próprio céu. Aqui se faz; aqui se paga. Olho por olho, dente por dente, até que todos aqueles que não possuem misericórdia com os mais pobres e fracos fiquem cegos e banguelas.

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Catarina estava sentada na cadeira do meu quarto, amarrada com as cordas que há muito eu guardei em meu armário. Sua boca estava amordaçada, porém, ainda conseguia gemer de medo quando eu cortei meu dedo e escrevi um pentagrama em seu peito, entoando a Oração da Cabra Preta para que eu tivesse sanidade o suficiente para puni-la. Ao passo que minha voz acelerava nos últimos versos, eu corria para perto da vadia somente para assustá-la. Até que senti um braço segurar meu pulso, puxando-me para trás. Ao virar, só vi olhos vermelhos em meio à escuridão.

— Não! Ainda não!

Agora ela será tua.

Afastei-me da cadeira onde Catarina estava e fiquei no canto, vendo a luz da lua iluminar seu rosto. O ar frio assoviou, os cascos rasparam no chão e só então o rosto da cabra surgiu, rodeando a mulher como se fosse devorá-la.

O animal ergueu as patas e urrou, cravando os cascos em suas coxas.

Esse era o sinal.

Agora, meu desejo seria realizado.

Finalmente!

… EU PODERIA SER ELA!

Levantei-me, puxei uma cadeira ao lado e fiquei de frente para a infeliz. Tirei a mordaça de sua boca, deixando-a respirar mais forte, e fitei seus olhos azulados, procurando uma chama de humanidade em sua alma.

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