Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





Transeunte

— Você sugou o prazer dele e isso se tornou infelicidade — Geraldo respondeu, e continuou balançando a cabeça negativamente. — E depois de um tempo vemos que continuamos infernizando os outros mesmo depois da morte. Quem inventou a baboseira de que quando morremos vamos a um lugar melhor certamente estava drogado…

— Meu Deus, eu não posso deixar esse assim! — disse desesperadamente, dirigindo-me ao rapaz para que eu pudesse tentar devolver o que lhe foi roubado. O que eu não sabia era a merda que eu estava fazendo, sem sequer tempo suficiente para cessar meus movimentos ao ouvir o grande NÃO que Geraldo gritou quando me viu tocar o corpo do homem, que instantaneamente sentiu um calafrio e acabou derrubando o garfo no chão.

Eu me afastei, sendo puxado por Geraldo.

— Você é idiota?! Quando um espírito toca um humano, ele suga a energia vital! A sorte é que nosso corpo humano repõe as energias depois de alguns meses. Trate de ficar bem longe deles.

— Me perdoe. Eu não sabia disso… — disse, saindo dali às pressas antes que eu fizesse alguma merda maior.

Aquela situação foi uma das muitas em que eu fui disciplinado na arte de transitar entre o mundo dos vivos e dos mortos. Aprendi com Geraldo como nossa alma se comportava em ambiente humano e também o quanto era perigosa a presença dos espíritos para as pessoas, que tinham suas energias sorvidas como a fumaça de um cigarro, corrompendo aos poucos seus corpos orgânicos.

“Quanto mais tempo ficamos, mais destruímos vidas. Alguns encontram seu caminho, porém, a maioria acaba se tornando obsessores, alimentando-se do sexo, dos alimentos e das bebidas consumidas pela humanidade, como se de alguma maneira pudéssemos voltar a ser humanos. No pior dos males, nos tornamos demônios e então desenvolvemos prazer em destruir vidas e trazer outros para o nosso plano.”

Geraldo era sábio e mesmo ciente de tantas coisas ainda não era digno de ser resgatado. Eu, justo como sempre fui, tive raiva ao saber que a humanidade continuava destruindo o mundo e então me dediquei à petulância de impedir que espíritos malignos se apossassem de casas. Não há uma estatística muito exata, mas alguns dizem que de dez pessoas, nove não sobem aos planos de luz, ficando no plano terreno em eterna reflexão. Nossas almas, porém, ainda são movidas pelos impulsos contaminados de nossa raça e por isso praticamos nossa personalidade de acordo com nossa tendência, maligna ou benigna, mesmo após a morte.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7

D. A. Potens
Transeunte

— Você sugou o prazer dele e isso se tornou infelicidade — Geraldo respondeu, e continuou balançando a cabeça negativamente. — E depois de um tempo vemos que continuamos infernizando os outros mesmo depois da morte. Quem inventou a baboseira de que quando morremos vamos a um lugar melhor certamente estava drogado…

— Meu Deus, eu não posso deixar esse assim! — disse desesperadamente, dirigindo-me ao rapaz para que eu pudesse tentar devolver o que lhe foi roubado. O que eu não sabia era a merda que eu estava fazendo, sem sequer tempo suficiente para cessar meus movimentos ao ouvir o grande NÃO que Geraldo gritou quando me viu tocar o corpo do homem, que instantaneamente sentiu um calafrio e acabou derrubando o garfo no chão.

Eu me afastei, sendo puxado por Geraldo.

— Você é idiota?! Quando um espírito toca um humano, ele suga a energia vital! A sorte é que nosso corpo humano repõe as energias depois de alguns meses. Trate de ficar bem longe deles.

— Me perdoe. Eu não sabia disso… — disse, saindo dali às pressas antes que eu fizesse alguma merda maior.

Aquela situação foi uma das muitas em que eu fui disciplinado na arte de transitar entre o mundo dos vivos e dos mortos. Aprendi com Geraldo como nossa alma se comportava em ambiente humano e também o quanto era perigosa a presença dos espíritos para as pessoas, que tinham suas energias sorvidas como a fumaça de um cigarro, corrompendo aos poucos seus corpos orgânicos.

“Quanto mais tempo ficamos, mais destruímos vidas. Alguns encontram seu caminho, porém, a maioria acaba se tornando obsessores, alimentando-se do sexo, dos alimentos e das bebidas consumidas pela humanidade, como se de alguma maneira pudéssemos voltar a ser humanos. No pior dos males, nos tornamos demônios e então desenvolvemos prazer em destruir vidas e trazer outros para o nosso plano.”

Geraldo era sábio e mesmo ciente de tantas coisas ainda não era digno de ser resgatado. Eu, justo como sempre fui, tive raiva ao saber que a humanidade continuava destruindo o mundo e então me dediquei à petulância de impedir que espíritos malignos se apossassem de casas. Não há uma estatística muito exata, mas alguns dizem que de dez pessoas, nove não sobem aos planos de luz, ficando no plano terreno em eterna reflexão. Nossas almas, porém, ainda são movidas pelos impulsos contaminados de nossa raça e por isso praticamos nossa personalidade de acordo com nossa tendência, maligna ou benigna, mesmo após a morte.

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7