Transeunte - D.A. Potens
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





Transeunte

“Agora ele está em um lugar melhor”. Talvez esteja ao teu lado, sugando sua energia pelo umbigo junto da vida de sua família e você não esteja vendo. Ou quem sabe no inferno ou no umbral, sendo açoitados pelo que fez em vida.

“Deus está guardando o espírito dele”, ou talvez esteja descansando, de olhos fechados, surdo e calado, deixando com que suas leis infinitas orquestrem o grande tribunal que é o destino.

“Tudo ficará bem”, frase clichê dita por tolos ignorantes.

Tudo pode sim ficar muito pior, tão pior que até mesmo o mais pessimista dos suicidas se arrependeria da atitude tola e petulante de retirar a própria vida. Não há beleza do outro lado, senão pelo conhecimento e elevação dos seres humanos que buscaram em vida ser melhores do que eram e na morte, elevarem-se como nuvens de algodão ao vento. De minhas reflexões, era essa minha certeza pós vida.

Este meu lado insolente de ser fez com que eu me tornasse, ao lado de Geraldo, um tipo de exorcista astral que se empenhava em expulsar espíritos famintos de dentro de casas de famílias de bem, ou nem tanto. Mal sabem as pessoas que onde come um, come dois, e onde come dois come centenas de espíritos gulosos que devoram vitalidade, prosperidade, saúde, amor e tudo o que é bom. Macrófagos espirituais que recuperam o ciclo da morte e do renascimento diariamente, até que, por influência interna ou externa, o pesadelo se finda ou recomece.

Quando comecei com meus serviços etéreos, não sabia bem como lidar com os espíritos veteranos. Tomei muitas surras dolorosas, mas, aos poucos, com a sabedoria do meu amigo, angariei habilidades inerentes de todas as almas que se esforçarem. Podia me solidificar e meter um tabefe na cara dos abusados, ou prendê-los em minhas mãos e jogá-los dos esgotos, embora soubesse que a culpa das possessões e obsessões, na maior parte das vezes, não partia dos mortos, mas dos vivos que, imersos em suas idiotices, emitiam vibrações malignas o suficiente para atrair espíritos da mesma frequência nas suas direções.

Já viu pessoas dizerem “pode entrar” quando a porta da cozinha ou da sala se abre sozinha? Se elas soubessem que nas entradas de suas casas há centenas de espíritos anexos às vidraças e madeiras, aguardando uma confirmação para que entrem, jamais pronunciariam tal frase. Entretanto, crendices são maiores que a razão e influenciam cada passo do ser humano, por mais imbecil que pareçam os costumes de alguns lugares. O bom é que depois de algum tempo morto, aprendi a combater os obsessores com a ajuda de outros bons samaritanos que encontrei pelo caminho até, em dia nublado e sem vida, me deparar com um cenário destoante do comum: ruas vazias, carros em chamas, espíritos adormecidos e poucas presenças etéreas vagando pelos prédios.

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D. A. Potens
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“Agora ele está em um lugar melhor”. Talvez esteja ao teu lado, sugando sua energia pelo umbigo junto da vida de sua família e você não esteja vendo. Ou quem sabe no inferno ou no umbral, sendo açoitados pelo que fez em vida.

“Deus está guardando o espírito dele”, ou talvez esteja descansando, de olhos fechados, surdo e calado, deixando com que suas leis infinitas orquestrem o grande tribunal que é o destino.

“Tudo ficará bem”, frase clichê dita por tolos ignorantes.

Tudo pode sim ficar muito pior, tão pior que até mesmo o mais pessimista dos suicidas se arrependeria da atitude tola e petulante de retirar a própria vida. Não há beleza do outro lado, senão pelo conhecimento e elevação dos seres humanos que buscaram em vida ser melhores do que eram e na morte, elevarem-se como nuvens de algodão ao vento. De minhas reflexões, era essa minha certeza pós vida.

Este meu lado insolente de ser fez com que eu me tornasse, ao lado de Geraldo, um tipo de exorcista astral que se empenhava em expulsar espíritos famintos de dentro de casas de famílias de bem, ou nem tanto. Mal sabem as pessoas que onde come um, come dois, e onde come dois come centenas de espíritos gulosos que devoram vitalidade, prosperidade, saúde, amor e tudo o que é bom. Macrófagos espirituais que recuperam o ciclo da morte e do renascimento diariamente, até que, por influência interna ou externa, o pesadelo se finda ou recomece.

Quando comecei com meus serviços etéreos, não sabia bem como lidar com os espíritos veteranos. Tomei muitas surras dolorosas, mas, aos poucos, com a sabedoria do meu amigo, angariei habilidades inerentes de todas as almas que se esforçarem. Podia me solidificar e meter um tabefe na cara dos abusados, ou prendê-los em minhas mãos e jogá-los dos esgotos, embora soubesse que a culpa das possessões e obsessões, na maior parte das vezes, não partia dos mortos, mas dos vivos que, imersos em suas idiotices, emitiam vibrações malignas o suficiente para atrair espíritos da mesma frequência nas suas direções.

Já viu pessoas dizerem “pode entrar” quando a porta da cozinha ou da sala se abre sozinha? Se elas soubessem que nas entradas de suas casas há centenas de espíritos anexos às vidraças e madeiras, aguardando uma confirmação para que entrem, jamais pronunciariam tal frase. Entretanto, crendices são maiores que a razão e influenciam cada passo do ser humano, por mais imbecil que pareçam os costumes de alguns lugares. O bom é que depois de algum tempo morto, aprendi a combater os obsessores com a ajuda de outros bons samaritanos que encontrei pelo caminho até, em dia nublado e sem vida, me deparar com um cenário destoante do comum: ruas vazias, carros em chamas, espíritos adormecidos e poucas presenças etéreas vagando pelos prédios.

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