Transeunte - D.A. Potens
D. A. Potens
D.A. Potens, pseudônimo de Danilo de Almeida, 23 anos, reside à Capital de São Paulo, é escritor de terror, horror, suspense, drama e fantasia; sendo suas inspirações os filmes de terror japoneses, bem como os grandes clássicos como Sexta-feira 13, além de animes do gênero. Atualmente escreve contos imersos no estilo gore e os publica na plataforma de publicação Wattpad. Alguns deles são: A Dama de Branco, Sursum Corda, Soterrados e A Oração da Cabra Preta, seu texto mais contemplado. Acredita que o terror é uma sublime ferramenta dos demônios humanos, por mais que tentem escondê-los a todo custo por baixo de máscaras etéreas.





Transeunte

“Sensação de falta de ar”, disse a mim mesmo, afirmando conscientemente que aquele seria o fim e que de alguma maneira demônios haviam devorado meus companheiros. Senti-me como nos últimos dias em que estive vivo, vendo-me definhar como carne apodrecida, tão frágil como nunca se viu no decorrer da existência de um professor de Educação Física tal qual eu. Coloquei a mão sobre a cabeça, mas algo fora de mim me dizia para não titubear e utilizar tudo o que sabia para confrontá-lo.

— Você não tem poder sobre um filho de Deus… — iniciei com grande idiotice.

Uma risada aguda se deu a partir das sombras que se revezaram em vultos céleres que domavam as paredes, tornando-se grave até alcançar o tom de um urso furioso prestes a destroçar um intruso em seu habitat. Senti meus pés serem agarrados por mãos quentes como brasa, unhas finas como agulhas penetraram seu interior. Meu grito se desprendeu de minha garganta como uma súplica a Deus, que não seria ouvida senão pelos espíritos impuros que me torturavam, cravando suas foices em meus membros, deleitando-se de toda energia negativa e explosiva que vinha do meu interior em uma massa homogênea de dor, mágoa, rancor e desejo de vingança que eu mesmo criei diante da impotência. Meu eu aos poucos perdeu-se nas sentenças de morte dirigidas a eles, no mesmo tempo em que eu, gradualmente, me dava conta de minha tolice, de minha complacência para com o que eu estava permitindo que eles me fizessem. Como um furacão, fui envolvido por trevas, despedaçando-me e sendo devorado lentamente, no desfrute e gozo dos diabos. Assim que vislumbrei meu braço passar por meus olhos, arrancado, compreendi o que de fato estava acontecendo: eu estava me tornando um demônio; não por que minha essência era maligna, mas pela dor enclausurada em uma jaula de onde não havia saída.

— E livrai-nos de todo mal, amém… — Ouvi uma voz doce dizer tão alto quanto um relâmpago, cristalizando o tempo ao redor. — Venha conosco…

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7

D. A. Potens
Transeunte

“Sensação de falta de ar”, disse a mim mesmo, afirmando conscientemente que aquele seria o fim e que de alguma maneira demônios haviam devorado meus companheiros. Senti-me como nos últimos dias em que estive vivo, vendo-me definhar como carne apodrecida, tão frágil como nunca se viu no decorrer da existência de um professor de Educação Física tal qual eu. Coloquei a mão sobre a cabeça, mas algo fora de mim me dizia para não titubear e utilizar tudo o que sabia para confrontá-lo.

— Você não tem poder sobre um filho de Deus… — iniciei com grande idiotice.

Uma risada aguda se deu a partir das sombras que se revezaram em vultos céleres que domavam as paredes, tornando-se grave até alcançar o tom de um urso furioso prestes a destroçar um intruso em seu habitat. Senti meus pés serem agarrados por mãos quentes como brasa, unhas finas como agulhas penetraram seu interior. Meu grito se desprendeu de minha garganta como uma súplica a Deus, que não seria ouvida senão pelos espíritos impuros que me torturavam, cravando suas foices em meus membros, deleitando-se de toda energia negativa e explosiva que vinha do meu interior em uma massa homogênea de dor, mágoa, rancor e desejo de vingança que eu mesmo criei diante da impotência. Meu eu aos poucos perdeu-se nas sentenças de morte dirigidas a eles, no mesmo tempo em que eu, gradualmente, me dava conta de minha tolice, de minha complacência para com o que eu estava permitindo que eles me fizessem. Como um furacão, fui envolvido por trevas, despedaçando-me e sendo devorado lentamente, no desfrute e gozo dos diabos. Assim que vislumbrei meu braço passar por meus olhos, arrancado, compreendi o que de fato estava acontecendo: eu estava me tornando um demônio; não por que minha essência era maligna, mas pela dor enclausurada em uma jaula de onde não havia saída.

— E livrai-nos de todo mal, amém… — Ouvi uma voz doce dizer tão alto quanto um relâmpago, cristalizando o tempo ao redor. — Venha conosco…

Páginas: 1 2 3 4 5 6 7