A casa, o cemitério e o espelho gigante - David Gomes
David Gomes
David Gomes. Meu nome, mas não sou eu. Quem sou fora das palavras? Uma máquina orgânica, complexa, lançada no mundo. Poeta, compositor, musicista repudiado, amante da Filosofia e maníaco das películas de horror. David é medo, desespero, ansiedade, questionamento, gargalhada e choro. Falar sobre um ser humano em construção é algo bastante complicado, posso fornecer sínteses, interpretações, mas somente eu saberei interiormente o que me constitui a cada segundo fracionado. Quem sabe até eu não saiba quem sou. A vida é o maior exemplo concreto de contradição do que se é viver.




A casa, o cemitério e o espelho gigante

Envolvido em um pesadelo
Que de surreal parecia tão real
Encontrava-me trancado em uma enorme casa, de apenas um vasto vão
Impressionante era o chão
Não era de cerâmica ou madeira rústica, era de barro, repleto de lápides, covas e sepulturas
Asquerosas cruzes de madeira
Buracos rasos e vermes em caveiras.
Estranho era uma sacola de ossada canina, por mais que eu tentasse enterrá-la não conseguia.
Uma parede dessa casa era feita completamente de um gigante espelho, com espessura do teto ao chão
Por mais que eu evitasse, sempre me enxergava e isso me causava aflição.
A cada passo me olhava, me envergonhava, renegava minha própria imagem
Por que me encontrava nessa situação?
De repente o desespero passava, não sabia mais o que fazer
Então coloquei a sacola de ossos pendurada em um prego preso a parede.
Permaneci no local sem incômodo, imundo
Trancado no cemitério diante do meu reflexo moribundo.

 

 

David Gomes
A casa, o cemitério e o espelho gigante

Envolvido em um pesadelo
Que de surreal parecia tão real
Encontrava-me trancado em uma enorme casa, de apenas um vasto vão
Impressionante era o chão
Não era de cerâmica ou madeira rústica, era de barro, repleto de lápides, covas e sepulturas
Asquerosas cruzes de madeira
Buracos rasos e vermes em caveiras.
Estranho era uma sacola de ossada canina, por mais que eu tentasse enterrá-la não conseguia.
Uma parede dessa casa era feita completamente de um gigante espelho, com espessura do teto ao chão
Por mais que eu evitasse, sempre me enxergava e isso me causava aflição.
A cada passo me olhava, me envergonhava, renegava minha própria imagem
Por que me encontrava nessa situação?
De repente o desespero passava, não sabia mais o que fazer
Então coloquei a sacola de ossos pendurada em um prego preso a parede.
Permaneci no local sem incômodo, imundo
Trancado no cemitério diante do meu reflexo moribundo.