1612 - Diego Scariot
Diego Scariot
Nascido em 21/06/1994, estudante de direito e escritor amador.
Minha paixão pela literatura começou com HQs e fábulas ainda criança. Na adolescência com as lendas urbanas e vídeos de fantasmas na internet que me apaixonei pelo terror.
Publico minhas bizarrices no wattpad. Tenho como inspirações livros de Stephen King, Robin Cook, Lovercraft, Frank De Fellita, entre outros. Filmes de George Romero, John Carpenter, Wes Anderson, Sam Raimi. E em letras de bandas como Misfits, Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath.
Também sou viciado em velho oeste e humor negro.
Escrevo pelo amor ao terror e para transmitir esse amor aos outros.





1612

“Nem o próprio Tupã não é páreo comigo. Você acha que teu Deus será?” E riu mais uma vez. Fernando se ajoelhou, ergueu suas mãos para o céu, baixou a cabeça e começou a rezar baixinho. Eu estava totalmente paralisado, sem saber o que fazer.

“Voltem para o lugar da onde vieram. Parem de passar a palavra de vocês por minhas terras. Deixem meus índios em paz. Se voltarem para essas terras vocês iram sofrer. Irei matar a todos e amaldiçoarei qualquer um que se atreva a voltar aqui.”

Peguei o remo e comecei a remar descendo o rio. A figura sumiu e o vento forte parou. Em algumas horas estávamos de volta em nossa aldeia. Fernando contou a história para os portugueses que estavam lá. Disse que tudo não passou de algum tipo de magia do pagé da outra tribo e que iria reunir mais pessoas para voltar a subir o rio no dia seguinte.
Bem pela manhã, Fernando e mais homens subiram o rio em três canoas. Recusei-me a ir junto com eles. Eu sabia o que eu tinha visto, sabia também que não era nenhum tipo de magia e que tudo o que aconteceu foi real.

Peguei o primeiro barco de volta para Portugal. Não contei esse fato a ninguém até hoje, aos meus 75 anos. Tinha que pelo menos deixar escrito para as futuras gerações antes da minha partida para o outro lado.

Padre Fernando e os homens que subiram o rio com ele nunca mais foram visto.

Padre João Mário de Chagas.

 

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“Nem o próprio Tupã não é páreo comigo. Você acha que teu Deus será?” E riu mais uma vez. Fernando se ajoelhou, ergueu suas mãos para o céu, baixou a cabeça e começou a rezar baixinho. Eu estava totalmente paralisado, sem saber o que fazer.

“Voltem para o lugar da onde vieram. Parem de passar a palavra de vocês por minhas terras. Deixem meus índios em paz. Se voltarem para essas terras vocês iram sofrer. Irei matar a todos e amaldiçoarei qualquer um que se atreva a voltar aqui.”

Peguei o remo e comecei a remar descendo o rio. A figura sumiu e o vento forte parou. Em algumas horas estávamos de volta em nossa aldeia. Fernando contou a história para os portugueses que estavam lá. Disse que tudo não passou de algum tipo de magia do pagé da outra tribo e que iria reunir mais pessoas para voltar a subir o rio no dia seguinte.
Bem pela manhã, Fernando e mais homens subiram o rio em três canoas. Recusei-me a ir junto com eles. Eu sabia o que eu tinha visto, sabia também que não era nenhum tipo de magia e que tudo o que aconteceu foi real.

Peguei o primeiro barco de volta para Portugal. Não contei esse fato a ninguém até hoje, aos meus 75 anos. Tinha que pelo menos deixar escrito para as futuras gerações antes da minha partida para o outro lado.

Padre Fernando e os homens que subiram o rio com ele nunca mais foram visto.

Padre João Mário de Chagas.

 

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