Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Diego Scariot
Nascido em 21/06/1994, estudante de direito e escritor amador.
Minha paixão pela literatura começou com HQs e fábulas ainda criança. Na adolescência com as lendas urbanas e vídeos de fantasmas na internet que me apaixonei pelo terror.
Publico minhas bizarrices no wattpad. Tenho como inspirações livros de Stephen King, Robin Cook, Lovercraft, Frank De Fellita, entre outros. Filmes de George Romero, John Carpenter, Wes Anderson, Sam Raimi. E em letras de bandas como Misfits, Iron Maiden, Metallica, Black Sabbath.
Também sou viciado em velho oeste e humor negro.
Escrevo pelo amor ao terror e para transmitir esse amor aos outros.





Liberdade

Hoje comprei meus sapatos novos, sou um homem livre.

Nasci dentro de um navio negreiro, todo sujo, fedendo, com vários outros negros.

Fui separado de meu pai quando chegamos em terra. Nunca conheci ele.

Quando eu ainda era criança vi um dos senhores da fazenda estuprar e matar uma negra da senzala. Assisti quieto, eu era uma criança, nada podia fazer. Mas hoje! Hoje sou livre!

Vi brancos engravidar as escravas e depois matar os bebês.

Vi meus irmãos de senzala serem torturados com anjinhos, bolo, vira mundo, colar de pescoço, entre outros.

Vi negros serem mortos por açoitadas.

Vi irmãos se tornando senhores de escravos e torturando os próprios irmãos.

Vi vários outros tentando fugir, mas sem sucesso, sofrendo muito depois nas torturas.

Nunca fiz nada! Não podia! Mas hoje sou livre; comprei meus sapatos; posso fazer o que eu quiser!

Hoje voltei pra fazenda, mas não como escravo e sim, como um homem livre.

Hoje subi no quarto do sinhô, ele estava deitado com uma negra. Com um facão, cortei seu pênis, ele gritou, puxei sua língua pra fora e cortei-a também. Fiz isso porque eu posso! Sou livre! Homens livres fazem isso; eu também posso.

Entrei no quarto da sinhá. Ela, por anos dormiu com negros que depois de realizar suas vontades carnais eram torturados. Ela fazia isso porque podia, porque era livre!

Mas hoje eu também sou livre; também posso fazer o que eu quero.

Puxei sinhá pelo cabelo e, antes que ela pudesse gritar, degolei-a, arranquei sua cabeça e carreguei comigo. Fui até o quarto do patrão, o fazendeiro. Ele também dormia.

Ele foi quem mais mandou matar, quem mais mandou torturar, quem mais estuprou, quem mais foi cruel. Fez isso porque sempre foi livre!

Mas hoje meu ex patrão, hoje sou livre também, hoje posso fazer o que quero.

Joguei a cabeça da sinhá em seu colo. O patrão acordou com um pulo.

“Mas o que é isso Adílson? Ficou louco?” Perguntou-me o patrão.

“- Não patrão; não fiquei louco. Fiquei livre!”

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Diego Scariot
Liberdade

Hoje comprei meus sapatos novos, sou um homem livre.

Nasci dentro de um navio negreiro, todo sujo, fedendo, com vários outros negros.

Fui separado de meu pai quando chegamos em terra. Nunca conheci ele.

Quando eu ainda era criança vi um dos senhores da fazenda estuprar e matar uma negra da senzala. Assisti quieto, eu era uma criança, nada podia fazer. Mas hoje! Hoje sou livre!

Vi brancos engravidar as escravas e depois matar os bebês.

Vi meus irmãos de senzala serem torturados com anjinhos, bolo, vira mundo, colar de pescoço, entre outros.

Vi negros serem mortos por açoitadas.

Vi irmãos se tornando senhores de escravos e torturando os próprios irmãos.

Vi vários outros tentando fugir, mas sem sucesso, sofrendo muito depois nas torturas.

Nunca fiz nada! Não podia! Mas hoje sou livre; comprei meus sapatos; posso fazer o que eu quiser!

Hoje voltei pra fazenda, mas não como escravo e sim, como um homem livre.

Hoje subi no quarto do sinhô, ele estava deitado com uma negra. Com um facão, cortei seu pênis, ele gritou, puxei sua língua pra fora e cortei-a também. Fiz isso porque eu posso! Sou livre! Homens livres fazem isso; eu também posso.

Entrei no quarto da sinhá. Ela, por anos dormiu com negros que depois de realizar suas vontades carnais eram torturados. Ela fazia isso porque podia, porque era livre!

Mas hoje eu também sou livre; também posso fazer o que eu quero.

Puxei sinhá pelo cabelo e, antes que ela pudesse gritar, degolei-a, arranquei sua cabeça e carreguei comigo. Fui até o quarto do patrão, o fazendeiro. Ele também dormia.

Ele foi quem mais mandou matar, quem mais mandou torturar, quem mais estuprou, quem mais foi cruel. Fez isso porque sempre foi livre!

Mas hoje meu ex patrão, hoje sou livre também, hoje posso fazer o que quero.

Joguei a cabeça da sinhá em seu colo. O patrão acordou com um pulo.

“Mas o que é isso Adílson? Ficou louco?” Perguntou-me o patrão.

“- Não patrão; não fiquei louco. Fiquei livre!”

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