A noite dos ecos eternos - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




A noite dos ecos eternos

Era uma noite escura e tremendamente quieta. Um clima úmido, um frio leve e agradável tomava conta da cidade de Chapecó. Uma chuva extremamente agradável precipitara-se durante a manhã e adentrou a tarde, lavando o suor e a melancolia das longas semanas castigadas pelo sol escaldante. Seria o clima perfeito se a cidade não estivesse em estado de quarentena. O governo não tomara as medidas necessárias e perdera o controle sobre a disseminação do Vírus Covid-19, mais conhecido como Coronavírus. Como de praxe, quando governos fazem merda, quem paga é a população e ela faz a sua parte com muito esforço, pela menos uma parte dela. Uma parte está em casa, trancada na sua solidão, olhando para o horizonte e esperando por dias melhores. A outra parte está ensandecida, com medo de faltar papel higiênico ou carvão para seu churrasco.

 

Eu, recolhida a singeleza da minha pequena água furtada contemplo a tudo como uma formiga que ficou de fora do formigueiro. Agora é por minha conta. A praga está lá fora e ela com certeza vai me atingir. Basta eu ser forte para resistir e depois fazer piadas com meus amigos que sobreviverem.

 

É tempo de muitos planos. De muitas promessas. De pensar que isso é um divisor de águas para a humanidade. Que depois disso seremos mais irmãos, olharemos para as pessoas com mais amor no coração e com a certeza de que somos todos uma grande família que nasceram pra se apoiar e assim construirmos um mundo de harmonia, entendimento, responsabilidade e paz. Como são embriagantes esses pensamentos. Como me trazem uma felicidade absurda, calçada na esperança de um futuro perfeito.

 

Súbito, um barulho corta a quietude quase sepulcral da noite. A princípio, não consegui distinguir o que era. Parecia uma criança brincando com um artefato de metal. E logo seguiu-se outro e mais e mais outro e mais outro.

 

Lembrei-me então o que era: o panelaço em oposição ao governo Bolsonaro. O barulho me tirou da letargia e me lembrou de que para sermos todos irmãos temos que ter governantes que saibam respeitar as diferenças. Governantes que entendem que a união é mais importante que o conflito e o que o diálogo é a mola mestra de tudo o que consideramos como entendimento e harmonia.

 

Com uma panela bem grande e um cabo de madeira, bati com força por que sei que depois da catástrofe que será essa epidemia, ainda teremos um governo autoritário, que não busca o entendimento e que acha que se pode governar um país fazendo piadas.

 

*FORA BOLSONARO*.

E. B. Toniolli
A noite dos ecos eternos

Era uma noite escura e tremendamente quieta. Um clima úmido, um frio leve e agradável tomava conta da cidade de Chapecó. Uma chuva extremamente agradável precipitara-se durante a manhã e adentrou a tarde, lavando o suor e a melancolia das longas semanas castigadas pelo sol escaldante. Seria o clima perfeito se a cidade não estivesse em estado de quarentena. O governo não tomara as medidas necessárias e perdera o controle sobre a disseminação do Vírus Covid-19, mais conhecido como Coronavírus. Como de praxe, quando governos fazem merda, quem paga é a população e ela faz a sua parte com muito esforço, pela menos uma parte dela. Uma parte está em casa, trancada na sua solidão, olhando para o horizonte e esperando por dias melhores. A outra parte está ensandecida, com medo de faltar papel higiênico ou carvão para seu churrasco.

 

Eu, recolhida a singeleza da minha pequena água furtada contemplo a tudo como uma formiga que ficou de fora do formigueiro. Agora é por minha conta. A praga está lá fora e ela com certeza vai me atingir. Basta eu ser forte para resistir e depois fazer piadas com meus amigos que sobreviverem.

 

É tempo de muitos planos. De muitas promessas. De pensar que isso é um divisor de águas para a humanidade. Que depois disso seremos mais irmãos, olharemos para as pessoas com mais amor no coração e com a certeza de que somos todos uma grande família que nasceram pra se apoiar e assim construirmos um mundo de harmonia, entendimento, responsabilidade e paz. Como são embriagantes esses pensamentos. Como me trazem uma felicidade absurda, calçada na esperança de um futuro perfeito.

 

Súbito, um barulho corta a quietude quase sepulcral da noite. A princípio, não consegui distinguir o que era. Parecia uma criança brincando com um artefato de metal. E logo seguiu-se outro e mais e mais outro e mais outro.

 

Lembrei-me então o que era: o panelaço em oposição ao governo Bolsonaro. O barulho me tirou da letargia e me lembrou de que para sermos todos irmãos temos que ter governantes que saibam respeitar as diferenças. Governantes que entendem que a união é mais importante que o conflito e o que o diálogo é a mola mestra de tudo o que consideramos como entendimento e harmonia.

 

Com uma panela bem grande e um cabo de madeira, bati com força por que sei que depois da catástrofe que será essa epidemia, ainda teremos um governo autoritário, que não busca o entendimento e que acha que se pode governar um país fazendo piadas.

 

*FORA BOLSONARO*.