A volta de quem não foi - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




A volta de quem não foi

Cada passo é um pedaço do corpo que cai

Um rastro de carne pútrida denúncia por onde andei

O sol abrasador resseca meus olhos e minha boca

Milênios sem comer

Milênios sem beber água

E minha última refeição foi uma esponja embebida em vinagre

Maior que o vazio em seu estômago, sinto o vazio em minh´alma

Milênios de solidão e escuridão

Por que continuo vivo, meu Pai?

Como vou levar sua mensagem se nenhuma palavra sai da minha boca?

As pessoas ao me verem, vomitam.

Não entendo o que elas dizem

Ergo as mãos ao céu e suplico:

– Me ajuda meu pai: o que faço?

Súbito, sinto um calor em meu peito.

Um objeto pequeno e rápido destroçou meu coração.

Caio de joelhos, enquanto um homem se aproxima.

– Você é teimoso mesmo. Devia ter ficado embaixo da terra, sua aberração.

É Barrabas. O ladrão que roubou minha esposa e minha vida.

Penso se devo amaldiçoá-lo ou perdoá-lo.

Mas com um outro golpe ele destroça meu cérebro.

Vejo tudo escurecer e acredito que agora iria ao encontro de meu Pai.

– Deus está morto, Jesus! Você vai pro fogo eterno. Sofrer para todo o sempre com os seus.

Por um momento, fico feliz. Pelo menos não estarei mais sozinho.

E. B. Toniolli
A volta de quem não foi

Cada passo é um pedaço do corpo que cai

Um rastro de carne pútrida denúncia por onde andei

O sol abrasador resseca meus olhos e minha boca

Milênios sem comer

Milênios sem beber água

E minha última refeição foi uma esponja embebida em vinagre

Maior que o vazio em seu estômago, sinto o vazio em minh´alma

Milênios de solidão e escuridão

Por que continuo vivo, meu Pai?

Como vou levar sua mensagem se nenhuma palavra sai da minha boca?

As pessoas ao me verem, vomitam.

Não entendo o que elas dizem

Ergo as mãos ao céu e suplico:

– Me ajuda meu pai: o que faço?

Súbito, sinto um calor em meu peito.

Um objeto pequeno e rápido destroçou meu coração.

Caio de joelhos, enquanto um homem se aproxima.

– Você é teimoso mesmo. Devia ter ficado embaixo da terra, sua aberração.

É Barrabas. O ladrão que roubou minha esposa e minha vida.

Penso se devo amaldiçoá-lo ou perdoá-lo.

Mas com um outro golpe ele destroça meu cérebro.

Vejo tudo escurecer e acredito que agora iria ao encontro de meu Pai.

– Deus está morto, Jesus! Você vai pro fogo eterno. Sofrer para todo o sempre com os seus.

Por um momento, fico feliz. Pelo menos não estarei mais sozinho.