Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Agostino

Hoje morreu Agostino. Para alguém que nunca viveu, a morte foi um alívio. Uma vida parasitária, sem ver e viver o mundo. Andava pelo seu quarto, prisioneiro de sua mente atrofiado. Sem desejos, sem sonhos, sem vida própria.
Hoje morreu alguém que nunca viveu.
Morreu e já estava morto.
Triste fim de Agostino.
Tino para os íntimos: ratos, baratas e moscas varejeiras. Todos os humanos se esqueceram dele. Apenas jogaram-no sobre uma cama de capim para que a morte o levasse para o descanso. E ele descansou…
Com os ratos comendo sua carne e moscas entupindo as suas narinas.
Gritos não há, dor não há, ódio, pavor, agonia, nada há naquele lugar. Somente a pútrida carcaça de Agostino que agora serve de banquete para seus amigos.

 

 

E. B. Toniolli
Agostino

Hoje morreu Agostino. Para alguém que nunca viveu, a morte foi um alívio. Uma vida parasitária, sem ver e viver o mundo. Andava pelo seu quarto, prisioneiro de sua mente atrofiado. Sem desejos, sem sonhos, sem vida própria.
Hoje morreu alguém que nunca viveu.
Morreu e já estava morto.
Triste fim de Agostino.
Tino para os íntimos: ratos, baratas e moscas varejeiras. Todos os humanos se esqueceram dele. Apenas jogaram-no sobre uma cama de capim para que a morte o levasse para o descanso. E ele descansou…
Com os ratos comendo sua carne e moscas entupindo as suas narinas.
Gritos não há, dor não há, ódio, pavor, agonia, nada há naquele lugar. Somente a pútrida carcaça de Agostino que agora serve de banquete para seus amigos.