Deus negro - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Deus negro

Olhai os lírios do campo
Em sua beleza bucólica singular
Contemplai o ventre das virgens num relâmpago
Para que seu sangue milenar
E puro da mundana vida que corrói
Possa alimentar essa beleza
Que esse sangue deixe a pureza
Em sua brancura sanguinária que destrói

Que aos peixes em seus rios
Passeiem em meio a frustrações
Alimentem-se dos vermes frios
Com índole de terrenas provações
Possam alimentar-se do todo altivo
Sem exceção de cada verme
Que em seu talião trabalhoso e inerme
Decompõe dos resquícios do que era vivo.

Que da harmonia de outrora
Seus passos sejam moldados agora
Em telas compostas da pele de Belial
Com as tintas da podridão universal.
Seus passos deixam sequelas ao lado
Da estada prematura e sofredora
De sua mãe prostrada a manjedoura
E o feto regurgitado sobre o lodo.

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E. B. Toniolli
Deus negro

Olhai os lírios do campo
Em sua beleza bucólica singular
Contemplai o ventre das virgens num relâmpago
Para que seu sangue milenar
E puro da mundana vida que corrói
Possa alimentar essa beleza
Que esse sangue deixe a pureza
Em sua brancura sanguinária que destrói

Que aos peixes em seus rios
Passeiem em meio a frustrações
Alimentem-se dos vermes frios
Com índole de terrenas provações
Possam alimentar-se do todo altivo
Sem exceção de cada verme
Que em seu talião trabalhoso e inerme
Decompõe dos resquícios do que era vivo.

Que da harmonia de outrora
Seus passos sejam moldados agora
Em telas compostas da pele de Belial
Com as tintas da podridão universal.
Seus passos deixam sequelas ao lado
Da estada prematura e sofredora
De sua mãe prostrada a manjedoura
E o feto regurgitado sobre o lodo.

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