Lua de mel - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.




Lua de mel

Delgado corpúsculo de distorcida forma
Grinalda salpicada de sangue
Enfadado necrófilo a tudo contorna
Para sentir as emanações cadavéricas que exangue

Vísceras espalhadas pelo leito nupcial
Os beijos se multiplicam na fratura exposta
Cálidos afagos na tua cavidade intestinal
Que toda a beleza jovial ainda comporta.

Ainda observo tuas estranhas viris
Que guardam ainda o agridoce sabor
De pubertário lívido aroma conserva

Esta noite necrófila será eterna
Pois descobri o devasso prazer do amor
Degustando de sua carne os vermes sutis.

 

E. B. Toniolli
Lua de mel

Delgado corpúsculo de distorcida forma
Grinalda salpicada de sangue
Enfadado necrófilo a tudo contorna
Para sentir as emanações cadavéricas que exangue

Vísceras espalhadas pelo leito nupcial
Os beijos se multiplicam na fratura exposta
Cálidos afagos na tua cavidade intestinal
Que toda a beleza jovial ainda comporta.

Ainda observo tuas estranhas viris
Que guardam ainda o agridoce sabor
De pubertário lívido aroma conserva

Esta noite necrófila será eterna
Pois descobri o devasso prazer do amor
Degustando de sua carne os vermes sutis.