Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Minha cara Jocasta

Minha cara Jocasta. Você se lembra que nós sempre fomos muitos ligados. Todos diziam até que nós devíamos de ter nascidos na mesma família. Mas éramos amigos. Amigos que compartilhavam dos meus ideias, dos mesmos sonhos. Sempre dizendo que o mundo era uma merda e que nada prestava. Até o momento em que deixamos de nos preocupar com o mundo e começamos a fazer tudo o que tínhamos vontade. Lembra-se que abandonamos futuros brilhantes, para trilhar pelos caminhos do mundo. Quantos povos conhecemos, quantos costumes, quanto conhecimento que acumulamos durante nossa vivência. Sempre ao lado do outro, enfrentando o frio e a chuva, contemplando as estrelas e sonhando que existiam pessoas como nós, em algum lugar.

Mas o tempo foi passando. Fomos perdendo a robustez e ficando a margem da degeneração corporal acelerada. Quando nos demos por conta estamos morando num asilo para velhos, sendo tratados como crianças, compartilhando nossos dias com seres que não tinham nossa superioridade.

Lembra-se Jocasta, como você me deu a ideia de fugirmos e morarmos numa cabana nas montanhas. Lembra-ser como aceitei e fugimos daquele lugar decrépito? Sim Jocasta, nós fugimos para as montanhas, encontramos uma cabana abandonada. Vivíamos da pesca e de pequenos animais que apareciam esporadicamente por lá.

Mas certo dia você foi atacada por uma doença e logo começou a passar mal. Você dizia que ia morrer, mas que sentia-se feliz em ser ao meu lado.

Bem Jocasta, você morreu mesmo, mas eu estou vivo para cumprir seu último desejo: você queria que seus órgãos fossem doados para fazer outras pessoas felizes. Pois bem, você fez uma pessoa feliz: eu. Pois nesse momento acabo de degustar seu coração. Pensei que fosse um mais macio, mas era duro. Agora fico olhando para a sua cabeça, que exala o agridoce sabor da putrefação, quanto retiro suas córneas. Muitos dizem que nós éramos como irmãos siameses, mas não nos foi concedida essa graça. Mas agora tenho todas as tuas partes juntas de mim e comigo estarão para todo o sempre.

E. B. Toniolli
Minha cara Jocasta

Minha cara Jocasta. Você se lembra que nós sempre fomos muitos ligados. Todos diziam até que nós devíamos de ter nascidos na mesma família. Mas éramos amigos. Amigos que compartilhavam dos meus ideias, dos mesmos sonhos. Sempre dizendo que o mundo era uma merda e que nada prestava. Até o momento em que deixamos de nos preocupar com o mundo e começamos a fazer tudo o que tínhamos vontade. Lembra-se que abandonamos futuros brilhantes, para trilhar pelos caminhos do mundo. Quantos povos conhecemos, quantos costumes, quanto conhecimento que acumulamos durante nossa vivência. Sempre ao lado do outro, enfrentando o frio e a chuva, contemplando as estrelas e sonhando que existiam pessoas como nós, em algum lugar.

Mas o tempo foi passando. Fomos perdendo a robustez e ficando a margem da degeneração corporal acelerada. Quando nos demos por conta estamos morando num asilo para velhos, sendo tratados como crianças, compartilhando nossos dias com seres que não tinham nossa superioridade.

Lembra-se Jocasta, como você me deu a ideia de fugirmos e morarmos numa cabana nas montanhas. Lembra-ser como aceitei e fugimos daquele lugar decrépito? Sim Jocasta, nós fugimos para as montanhas, encontramos uma cabana abandonada. Vivíamos da pesca e de pequenos animais que apareciam esporadicamente por lá.

Mas certo dia você foi atacada por uma doença e logo começou a passar mal. Você dizia que ia morrer, mas que sentia-se feliz em ser ao meu lado.

Bem Jocasta, você morreu mesmo, mas eu estou vivo para cumprir seu último desejo: você queria que seus órgãos fossem doados para fazer outras pessoas felizes. Pois bem, você fez uma pessoa feliz: eu. Pois nesse momento acabo de degustar seu coração. Pensei que fosse um mais macio, mas era duro. Agora fico olhando para a sua cabeça, que exala o agridoce sabor da putrefação, quanto retiro suas córneas. Muitos dizem que nós éramos como irmãos siameses, mas não nos foi concedida essa graça. Mas agora tenho todas as tuas partes juntas de mim e comigo estarão para todo o sempre.