Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Morte bucólica

E hei-me espalhado por este campo.

Sentindo o necrosado abraço gélido.

Agonizo só, sentindo somente o solo sobre mim, o vento e a chuva a me cobrir com seu manto.

Sangue que banha minhas vestes. Meus olhos procuram – em vão – o motivo do meu martírio. Procuram meu único e verdadeiro amor. Aquela pela qual dei minha vida e daria tantas quantas tivesse. Meus pensamentos vagam à sua procura. A boca que não consegue falar tenta – em vão – dizer o quanto a amo.

Agonizo, minha dor torna-se insuportável. Mas morro feliz em saber que daquele rosto divinal, prostraram-se lágrimas pela minha morte. E quando encontrarem minha carcaça putrefata, que um olhar ela me conceda, nem que seja de nojo, para compensar a eternidade ardente no inferno. Mais que a dor da morte, me corrói a dor da separação: uma vida de procuras, um passado de torturas que somente o seu amor soube apagar.

Ah, que momentos inesquecíveis passamos juntos. Agora só me resta a lembrança do doce passado, de seu amor puro, ingênuo, que, acredito eu, ter sido presente dos deuses.

Sei que não terei a eternidade para amá-la. Sei que de suas carícias, de seu corpo exuberante, de sua voz meiga e tenra, de você, só terei a lembrança do que tive: um pedaço do paraíso na terra.

Morte… Leve-me, dama suprema da podridão, arraste minha alma do mundo mortal, pois se o amor fosse tão forte para vencer-te, ele o faria.

Vou-me para a agonia infernal, onde antes o fogo que me consumia era o das longas noites em que passava em teus braços, deitado sobre seus seios, acariciando seu ventre, sendo feliz como, creio eu, nenhum mortal foi.

 

 

E. B. Toniolli
Morte bucólica

E hei-me espalhado por este campo.

Sentindo o necrosado abraço gélido.

Agonizo só, sentindo somente o solo sobre mim, o vento e a chuva a me cobrir com seu manto.

Sangue que banha minhas vestes. Meus olhos procuram – em vão – o motivo do meu martírio. Procuram meu único e verdadeiro amor. Aquela pela qual dei minha vida e daria tantas quantas tivesse. Meus pensamentos vagam à sua procura. A boca que não consegue falar tenta – em vão – dizer o quanto a amo.

Agonizo, minha dor torna-se insuportável. Mas morro feliz em saber que daquele rosto divinal, prostraram-se lágrimas pela minha morte. E quando encontrarem minha carcaça putrefata, que um olhar ela me conceda, nem que seja de nojo, para compensar a eternidade ardente no inferno. Mais que a dor da morte, me corrói a dor da separação: uma vida de procuras, um passado de torturas que somente o seu amor soube apagar.

Ah, que momentos inesquecíveis passamos juntos. Agora só me resta a lembrança do doce passado, de seu amor puro, ingênuo, que, acredito eu, ter sido presente dos deuses.

Sei que não terei a eternidade para amá-la. Sei que de suas carícias, de seu corpo exuberante, de sua voz meiga e tenra, de você, só terei a lembrança do que tive: um pedaço do paraíso na terra.

Morte… Leve-me, dama suprema da podridão, arraste minha alma do mundo mortal, pois se o amor fosse tão forte para vencer-te, ele o faria.

Vou-me para a agonia infernal, onde antes o fogo que me consumia era o das longas noites em que passava em teus braços, deitado sobre seus seios, acariciando seu ventre, sendo feliz como, creio eu, nenhum mortal foi.