Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




O cheiro

Finalmente você estava livre! Livre para viver sua vida da maneira que quisesse e sem ninguém para importuná-lo. Mas então, por que você não está alegre? O motivo de toda sua agonia, enfim, fora afastado, restando somente uma nova vida, cheia de sonhos e promessas. Sim, mas aquele cheiro ainda perturbava os seus sentidos: o cheiro de sua esposa, que ainda poluía toda casa.
Você força sua memória novamente, tentando encontrar o ponto falho de sua jogada. Uma trama sem falhas, proveniente de meses e meses de estudos e elaboração. Tudo começou naquela manhã de domingo: sua esposa era do tipo dominadora, sempre dizendo o que você deveria fazer, que roupa você deveria usar, que horas deveria chegar a casa, que lugares visitar nos finais de semana, impedindo-o de assistir o seu futebol!
Já havia passado 10 anos desde o fatídico dia em que resolveu casar-se com a moça mais linda daquele bairro. Ela respirava tranqüilidade e serenidade, uma flor, como você gostava de chamá-la. Mas após o casamento, tudo mudou: a sua princesa começou a impor seus gostos, suas idéias e você, por comodismo, deixou que tudo seguisse. Piorou mais ainda quando ela soube que não poderiam ter filhos, pois você era estéril. Ela começou a te tratar com se fosse um capacho, um escravo de suas vaidades e caprichos.
Você trabalhava o dia todo, enquanto ela ficava em casa, fofocando com suas amigas, falando mal de você. Com o passar do tempo ela nem escondia o desprezo que sentia: falando abertamente sobre sua incompetência na cama e na administração do lar, mesmo quando você estava em casa. Você, submisso, baixava a cabeça e concordava com tudo.

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E. B. Toniolli
O cheiro

Finalmente você estava livre! Livre para viver sua vida da maneira que quisesse e sem ninguém para importuná-lo. Mas então, por que você não está alegre? O motivo de toda sua agonia, enfim, fora afastado, restando somente uma nova vida, cheia de sonhos e promessas. Sim, mas aquele cheiro ainda perturbava os seus sentidos: o cheiro de sua esposa, que ainda poluía toda casa.
Você força sua memória novamente, tentando encontrar o ponto falho de sua jogada. Uma trama sem falhas, proveniente de meses e meses de estudos e elaboração. Tudo começou naquela manhã de domingo: sua esposa era do tipo dominadora, sempre dizendo o que você deveria fazer, que roupa você deveria usar, que horas deveria chegar a casa, que lugares visitar nos finais de semana, impedindo-o de assistir o seu futebol!
Já havia passado 10 anos desde o fatídico dia em que resolveu casar-se com a moça mais linda daquele bairro. Ela respirava tranqüilidade e serenidade, uma flor, como você gostava de chamá-la. Mas após o casamento, tudo mudou: a sua princesa começou a impor seus gostos, suas idéias e você, por comodismo, deixou que tudo seguisse. Piorou mais ainda quando ela soube que não poderiam ter filhos, pois você era estéril. Ela começou a te tratar com se fosse um capacho, um escravo de suas vaidades e caprichos.
Você trabalhava o dia todo, enquanto ela ficava em casa, fofocando com suas amigas, falando mal de você. Com o passar do tempo ela nem escondia o desprezo que sentia: falando abertamente sobre sua incompetência na cama e na administração do lar, mesmo quando você estava em casa. Você, submisso, baixava a cabeça e concordava com tudo.

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