O som do silêncio - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




O som do silêncio

Bata amigo, bata forte,
Não tenha medo da morte.
Uma janela que se abre
Um punhal com cabo de sabre.
Passos na estrela fria
Aprisionado num corpo, ria!
Pois eles riem de ti com gosto
E sente transpirar seu rosto.
Está pálido, vela apagada
Poeira no móvel grudada.
Reclina-te no teu canto
Derramas, agora, teu pranto,
O som do silêncio!

E tuas lágrimas rolam
Os espíritos te esmolam
Rogam uma oração para consolá-los.
Mas tu perdido nos intervalos
Das batidas de teu coração
E ouve com eterna devoção:
O som do silêncio!

Implore, então, por clemência
Não queres viver na ausência,
Mas ausente estás
Pois no fogo voraz
Que te consome interiormente
Vejo teu corpo dormente
Um cão ao teu lado com fome,
E uma lápide com teu nome.

 

 

E. B. Toniolli
O som do silêncio

Bata amigo, bata forte,
Não tenha medo da morte.
Uma janela que se abre
Um punhal com cabo de sabre.
Passos na estrela fria
Aprisionado num corpo, ria!
Pois eles riem de ti com gosto
E sente transpirar seu rosto.
Está pálido, vela apagada
Poeira no móvel grudada.
Reclina-te no teu canto
Derramas, agora, teu pranto,
O som do silêncio!

E tuas lágrimas rolam
Os espíritos te esmolam
Rogam uma oração para consolá-los.
Mas tu perdido nos intervalos
Das batidas de teu coração
E ouve com eterna devoção:
O som do silêncio!

Implore, então, por clemência
Não queres viver na ausência,
Mas ausente estás
Pois no fogo voraz
Que te consome interiormente
Vejo teu corpo dormente
Um cão ao teu lado com fome,
E uma lápide com teu nome.