Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Por quem os sinos dobram

O Primeiro silvo deste dia se faz ouvir, seguidos de vários outros que quebraram a quietude dessa manhã primaveril. Para muitos, o atrito do metal não proporciona nenhum distúrbio da estada no mundo onírico, porém para outros, é o fatídico sinal de que mais um dia está começando. Eu, apenas ouço o badalar como todos os outros que ouvi nos últimos tempos que habitei esse lugar. Para mim é apenas o sinal de que minha estadia terrena, continua.

Lembro-me muito bem a primeira vez que ouvi o badalar lamuriante deste secular relógio. Havia chegado nesta cidade com muitos sonhos, cheio de esperanças. Minha vida inteira, sempre procurei o sentido de minha existência, sendo impulsionado a abandonar cidade após cidade. Nessa minha longa investida, conheci os prazeres que a vida tem a oferecer e degustei de cada porção que me era oferecida. Dono de um patrimônio razoável, tudo o que era possível ser contabilizado, tive aos meus pés, o resto consegui com muita persistência.

Mas, como eu estava falando, quando cheguei nessa cidade, não levei somente meus sonhos, pois o efeito do tempo carcomia as minhas costas já enrugadas. Não mais podia tomar as prostitutas em meus braços e arrancar suspiros de seus corações ressequidos, procurava somente um lugar tranquilo para viver, longe do barulho dos grandes centros.

 

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E. B. Toniolli
Por quem os sinos dobram

O Primeiro silvo deste dia se faz ouvir, seguidos de vários outros que quebraram a quietude dessa manhã primaveril. Para muitos, o atrito do metal não proporciona nenhum distúrbio da estada no mundo onírico, porém para outros, é o fatídico sinal de que mais um dia está começando. Eu, apenas ouço o badalar como todos os outros que ouvi nos últimos tempos que habitei esse lugar. Para mim é apenas o sinal de que minha estadia terrena, continua.

Lembro-me muito bem a primeira vez que ouvi o badalar lamuriante deste secular relógio. Havia chegado nesta cidade com muitos sonhos, cheio de esperanças. Minha vida inteira, sempre procurei o sentido de minha existência, sendo impulsionado a abandonar cidade após cidade. Nessa minha longa investida, conheci os prazeres que a vida tem a oferecer e degustei de cada porção que me era oferecida. Dono de um patrimônio razoável, tudo o que era possível ser contabilizado, tive aos meus pés, o resto consegui com muita persistência.

Mas, como eu estava falando, quando cheguei nessa cidade, não levei somente meus sonhos, pois o efeito do tempo carcomia as minhas costas já enrugadas. Não mais podia tomar as prostitutas em meus braços e arrancar suspiros de seus corações ressequidos, procurava somente um lugar tranquilo para viver, longe do barulho dos grandes centros.

 

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