Quando floresce um cadáver - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Quando floresce um cadáver

Hoje a saudade bateu mais forte.

Hoje tudo o que vivemos juntos fez meu coração voltar a bater. De forma tímida e tênue. Quase um sussurro, um sopro de dor e solidão.

Com algum esforço saí de meu exílio. Galguei novamente as estrelas pra te encontrar. Encontrar novamente o calor da sua lembrança, um hiato de seu ser entre a inexistência e a esperança, entre os sonhos e a desventura.

Muito tempo se passou. Tanto tempo que nem sei como mensurar.

Mas a memória continua intacta e me recordo muito bem onde você está.

Te encontro naquele vale onde fomos felizes. Onde fizemos juras de amor e cumplicidade. Onde planejar viver juntos até o fim dos tempos.

Teu corpo já estava coberto. Várias camadas de vegetação aqueciam suas entranhas e você dava forma a tudo em volta.

Tudo era bonito. Havia uma certa magia no ar e uma sensação de “estou em casa” aqueceu meu ser.

Olhando mais detidamente, vejo uma linda flor sobre o local onde estava seu corpo. Uma flor negra, de pétalas aveludadas e exalando um perfume inebriante e intenso. Foram alguns segundos contemplando-a, mas que me pareceram uma eternidade. Havia um sentimento de recompensa naquela flor.

Num ato de puro egoísmo, arranco a flor do chão. Penso em levá-la comigo. Seria minha parceira em minhas longas jornadas.

Mas a beleza não é egoísta, deve ser compartilhada e assim que levo a flor em direção a minha face, ela se esvaia como uma fumaça tênue e sofrida.

A solidão de mim se apodera de uma maneira avassaladora. E junto com a solidão vem a fome. A fome que sempre tento ignorar. Fome de matar, de aniquilar vidas.

Esse lugar nada mais tem a me oferecer e parto em busca de outros planetas cheios de vida, para que eu possa decompor e extinguir.

E. B. Toniolli
Quando floresce um cadáver

Hoje a saudade bateu mais forte.

Hoje tudo o que vivemos juntos fez meu coração voltar a bater. De forma tímida e tênue. Quase um sussurro, um sopro de dor e solidão.

Com algum esforço saí de meu exílio. Galguei novamente as estrelas pra te encontrar. Encontrar novamente o calor da sua lembrança, um hiato de seu ser entre a inexistência e a esperança, entre os sonhos e a desventura.

Muito tempo se passou. Tanto tempo que nem sei como mensurar.

Mas a memória continua intacta e me recordo muito bem onde você está.

Te encontro naquele vale onde fomos felizes. Onde fizemos juras de amor e cumplicidade. Onde planejar viver juntos até o fim dos tempos.

Teu corpo já estava coberto. Várias camadas de vegetação aqueciam suas entranhas e você dava forma a tudo em volta.

Tudo era bonito. Havia uma certa magia no ar e uma sensação de “estou em casa” aqueceu meu ser.

Olhando mais detidamente, vejo uma linda flor sobre o local onde estava seu corpo. Uma flor negra, de pétalas aveludadas e exalando um perfume inebriante e intenso. Foram alguns segundos contemplando-a, mas que me pareceram uma eternidade. Havia um sentimento de recompensa naquela flor.

Num ato de puro egoísmo, arranco a flor do chão. Penso em levá-la comigo. Seria minha parceira em minhas longas jornadas.

Mas a beleza não é egoísta, deve ser compartilhada e assim que levo a flor em direção a minha face, ela se esvaia como uma fumaça tênue e sofrida.

A solidão de mim se apodera de uma maneira avassaladora. E junto com a solidão vem a fome. A fome que sempre tento ignorar. Fome de matar, de aniquilar vidas.

Esse lugar nada mais tem a me oferecer e parto em busca de outros planetas cheios de vida, para que eu possa decompor e extinguir.