Soneto da podridão - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Soneto da podridão

Mares de cadáveres em cloacas vomitados
Apatia de sangue e vurmo coagulados
Despojos da civilização crua e moldada
Grinaldas de vermes no corpo grudada.

Suas escarras recobertas de pus amarelado
Secreções de vermes, pústulas: consumado!
Do ânus negra substância demente flui
Em meio aos intestinos, um cogumelo evolui.

Seu cérebro putrefato não guarda reminiscência
É uma urna de sentimentos em demência
Pelo qual os vermes operários passeiam
E por onde os pássaros necrófagos gorjeiam.

Em teu âmago, aprenderá a amar os vermes
Afinal, eles consomem pela raiz os teus bernes,
São eles que te despojam dos escarros
E de sobremesa saboreiam teus catarros.

E. B. Toniolli
Soneto da podridão

Mares de cadáveres em cloacas vomitados
Apatia de sangue e vurmo coagulados
Despojos da civilização crua e moldada
Grinaldas de vermes no corpo grudada.

Suas escarras recobertas de pus amarelado
Secreções de vermes, pústulas: consumado!
Do ânus negra substância demente flui
Em meio aos intestinos, um cogumelo evolui.

Seu cérebro putrefato não guarda reminiscência
É uma urna de sentimentos em demência
Pelo qual os vermes operários passeiam
E por onde os pássaros necrófagos gorjeiam.

Em teu âmago, aprenderá a amar os vermes
Afinal, eles consomem pela raiz os teus bernes,
São eles que te despojam dos escarros
E de sobremesa saboreiam teus catarros.