Um caso de amor em Encélado - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Um caso de amor em Encélado

– Não tente tirar a venda e nem abrir os olhos!

Ahhh, como poderia eu dizer não para Datura, o amor da minha vida? Essas brincadeiras que fazem nosso relacionamento ser tão especial. O que teremos a seguir: sexo um algum lugar inusitado? Um presente especial? Com alguma dificuldade entro em nossa cosmonave.

– Amor para onde você está me levando?

– É surpreeeesa! Mas pode ter certeza que isso vai mudar nossa vida. Vai ser uma experiência única.

Corroído pela ansiedade ainda tento pedir alguma pista, mas Datura mantém o mistério.

A cosmonave levanta voo em meio ao caos que se transformou o espaço área na Terra. “Hoje em dia qualquer idiota tem uma cosmonave”, diria o grande filósofo Emilius Bolsonaro. Sinal dos tempos onde um casal de classe média consegue comprar um veículo que viaja a 3XLUX. E com o “Belladona” buraco de minhoca que foi criado perto da Terra, praticamente toda a galáxia fica a horas de viagem.

Hoje é um dia muito especial: estamos completando 10 anos de união conubial e parece que foi ontem que nos conhecemos. Temos 2 filhos e 5 gães e uma felicidade que alcança todo o universo.

– Amor, estamos entrando em Belladona?

– Simmmm… Se segure que a diversão vai começar!!!

Nunca fiz um salto hiperespacial de olhos vendados e a sensação é de ser sugado por uma Crave de Lo, mergulhando num Blencher de cabeça.

Grito como se estivesse numa montanha russa gravitacional inversa. Hipermassa!

Logo uma calmaria preenche o espaço…

– Chegamos?

– Quase! Ainda falta um pouco.

A cosmonave desfila suavemente e eu fico imaginando: onde estarei? O que me aguarda? Meu coração quer sair pela boca, mas procuro mostrar calma para não estragar a surpresa.

Súbito, a cosmonave aterriza e meu corpo todo começa a se retorcer de ansiedade.

– Chegamos?

– Simmmmm!

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E. B. Toniolli
Um caso de amor em Encélado

– Não tente tirar a venda e nem abrir os olhos!

Ahhh, como poderia eu dizer não para Datura, o amor da minha vida? Essas brincadeiras que fazem nosso relacionamento ser tão especial. O que teremos a seguir: sexo um algum lugar inusitado? Um presente especial? Com alguma dificuldade entro em nossa cosmonave.

– Amor para onde você está me levando?

– É surpreeeesa! Mas pode ter certeza que isso vai mudar nossa vida. Vai ser uma experiência única.

Corroído pela ansiedade ainda tento pedir alguma pista, mas Datura mantém o mistério.

A cosmonave levanta voo em meio ao caos que se transformou o espaço área na Terra. “Hoje em dia qualquer idiota tem uma cosmonave”, diria o grande filósofo Emilius Bolsonaro. Sinal dos tempos onde um casal de classe média consegue comprar um veículo que viaja a 3XLUX. E com o “Belladona” buraco de minhoca que foi criado perto da Terra, praticamente toda a galáxia fica a horas de viagem.

Hoje é um dia muito especial: estamos completando 10 anos de união conubial e parece que foi ontem que nos conhecemos. Temos 2 filhos e 5 gães e uma felicidade que alcança todo o universo.

– Amor, estamos entrando em Belladona?

– Simmmm… Se segure que a diversão vai começar!!!

Nunca fiz um salto hiperespacial de olhos vendados e a sensação é de ser sugado por uma Crave de Lo, mergulhando num Blencher de cabeça.

Grito como se estivesse numa montanha russa gravitacional inversa. Hipermassa!

Logo uma calmaria preenche o espaço…

– Chegamos?

– Quase! Ainda falta um pouco.

A cosmonave desfila suavemente e eu fico imaginando: onde estarei? O que me aguarda? Meu coração quer sair pela boca, mas procuro mostrar calma para não estragar a surpresa.

Súbito, a cosmonave aterriza e meu corpo todo começa a se retorcer de ansiedade.

– Chegamos?

– Simmmmm!

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