Um caso de amor em Encélado - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Um caso de amor em Encélado

Sinto um frio perturbador e me sinto leve como uma pena de Flamber.

– Não abra os olhos, OK?

– Não vou abrir.

Datura retira a venda e me veste com um capacete de respiração.

– Vem meu amor. Me dê sua mão.

– Está muito frio!

– Muito mesmo, mas não se preocupe que já regulei sua roupa para frio extremo.

O local onde estamos tem pouquíssima gravidade e por isso vamos andando aos pulos e risos.

De repente Datura para e me posiciona.

– Fica bem aqui.

– OK.

– Agora PODE ABRIR OS OLHOS.

Abro os olhos e vejo que estamos num lugar muito familiar que a anos não visitava. Estamos em Encélado. Sua superfície branca, coberta de neve e com os anéis de Saturno ao fundo. Simplesmente um dos lugares mais lindos de todo o universo e onde conheci Datura.

Contemplo aquela paisagem deslumbrante por alguns momentos e percebo que Datura não está ao meu lado. Olho para os lados e nada. Olho para trás e a vejo pulando rapidamente em direção a cosmonave. Sem entender direito o que está acontece, percebo que o chão onde estou começa a tremer. Estou em cima de um Gêiser preste a entrar em erupção. Tento sair, mas é tarde demais: um jato de água quente a mais de 500km/h irrompe do solo e lança meu corpo para cima. Em menos de um segundo meu traje é feito em pedaços assim como todo meu corpo. Ainda consigo ver Datura rindo ao longe antes que minha cabeça seja despedaçada e convertida em neve vermelha.

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E. B. Toniolli
Um caso de amor em Encélado

Sinto um frio perturbador e me sinto leve como uma pena de Flamber.

– Não abra os olhos, OK?

– Não vou abrir.

Datura retira a venda e me veste com um capacete de respiração.

– Vem meu amor. Me dê sua mão.

– Está muito frio!

– Muito mesmo, mas não se preocupe que já regulei sua roupa para frio extremo.

O local onde estamos tem pouquíssima gravidade e por isso vamos andando aos pulos e risos.

De repente Datura para e me posiciona.

– Fica bem aqui.

– OK.

– Agora PODE ABRIR OS OLHOS.

Abro os olhos e vejo que estamos num lugar muito familiar que a anos não visitava. Estamos em Encélado. Sua superfície branca, coberta de neve e com os anéis de Saturno ao fundo. Simplesmente um dos lugares mais lindos de todo o universo e onde conheci Datura.

Contemplo aquela paisagem deslumbrante por alguns momentos e percebo que Datura não está ao meu lado. Olho para os lados e nada. Olho para trás e a vejo pulando rapidamente em direção a cosmonave. Sem entender direito o que está acontece, percebo que o chão onde estou começa a tremer. Estou em cima de um Gêiser preste a entrar em erupção. Tento sair, mas é tarde demais: um jato de água quente a mais de 500km/h irrompe do solo e lança meu corpo para cima. Em menos de um segundo meu traje é feito em pedaços assim como todo meu corpo. Ainda consigo ver Datura rindo ao longe antes que minha cabeça seja despedaçada e convertida em neve vermelha.

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