Um presente de natal - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Um presente de natal

Laura acordou num salto. Um barulho extremamente alto enchia sua casa. Era o choro de seu filho de 3 anos.

Foi até ele que estava dormindo numa pequena cama, apertado com seus outros 3 irmãos.

– O que foi meu amor? O que você tem?

Laura perguntou, mas já sabia a resposta: era fome. Fome que inquietava seu filho, assim como a todos naquela casa.

Com alguma dificuldade pegou a criança em seus braços e balançando foi até a geladeira que estava próxima, aliás, como tudo estava próxima naquela pequena água furtada. Abriu a geladeira e lá estavam as provisões contadas e separadas para cada refeição até o próximo mês. Colocou seu filho sentado numa cadeira e após várias tossidas, explicou:

– Rafael, nós já jantamos e agora você precisa dormir.

– Mas eu estou com fome e hoje é véspera de natal – disse o menino em meio a soluços.

Laura engoliu a seco e olhou o relógio sujo na parede. Era 23h30, véspera de Natal.

– Rafael, eu já te expliquei que a mamãe ficou sem dinheiro esse mês por causa da doença. Mas logo que eu melhore vamos fazer uma janta de natal e você vai ganhar o carrinho de fórmula 1 que você quer.

– Você promete?

– Prometo sim, meu filho.

Uma promessa, seguida de um abraço forte e uma cafune na cabeça e o menino se acalma. Ela põe o filho para dormir novamente e deseja boa noite com um beijo na testa.

Laura abre a porta de sua casa com cuidado para não acordar seus filhos. Desde que se mudara para aquele lugar isolado, a vida não tem sido fácil. Já não era fácil com um marido bêbado e morando de favor na casa da sogra. Quando ele foi embora e sua sogra a expulsou da casa, ter encontrado esse casebre abandonado foi uma benção.

Com um olhar triste e sem esperança, Laura mira o céu estrelado, ao longe consegue ver um pedacinho da cidade toda colorida. Natal é uma época tão bonita. Pelo menos este fora sempre seu pensamento. Hoje, pobre, sozinha e com a tuberculose destruindo seus pulmões, a beleza das luzes não tem sentido.

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E. B. Toniolli
Um presente de natal

Laura acordou num salto. Um barulho extremamente alto enchia sua casa. Era o choro de seu filho de 3 anos.

Foi até ele que estava dormindo numa pequena cama, apertado com seus outros 3 irmãos.

– O que foi meu amor? O que você tem?

Laura perguntou, mas já sabia a resposta: era fome. Fome que inquietava seu filho, assim como a todos naquela casa.

Com alguma dificuldade pegou a criança em seus braços e balançando foi até a geladeira que estava próxima, aliás, como tudo estava próxima naquela pequena água furtada. Abriu a geladeira e lá estavam as provisões contadas e separadas para cada refeição até o próximo mês. Colocou seu filho sentado numa cadeira e após várias tossidas, explicou:

– Rafael, nós já jantamos e agora você precisa dormir.

– Mas eu estou com fome e hoje é véspera de natal – disse o menino em meio a soluços.

Laura engoliu a seco e olhou o relógio sujo na parede. Era 23h30, véspera de Natal.

– Rafael, eu já te expliquei que a mamãe ficou sem dinheiro esse mês por causa da doença. Mas logo que eu melhore vamos fazer uma janta de natal e você vai ganhar o carrinho de fórmula 1 que você quer.

– Você promete?

– Prometo sim, meu filho.

Uma promessa, seguida de um abraço forte e uma cafune na cabeça e o menino se acalma. Ela põe o filho para dormir novamente e deseja boa noite com um beijo na testa.

Laura abre a porta de sua casa com cuidado para não acordar seus filhos. Desde que se mudara para aquele lugar isolado, a vida não tem sido fácil. Já não era fácil com um marido bêbado e morando de favor na casa da sogra. Quando ele foi embora e sua sogra a expulsou da casa, ter encontrado esse casebre abandonado foi uma benção.

Com um olhar triste e sem esperança, Laura mira o céu estrelado, ao longe consegue ver um pedacinho da cidade toda colorida. Natal é uma época tão bonita. Pelo menos este fora sempre seu pensamento. Hoje, pobre, sozinha e com a tuberculose destruindo seus pulmões, a beleza das luzes não tem sentido.

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