Um presente de natal - E. B. Toniolli
E. B. Toniolli
Sou um contador de histórias.
Desde que tenho consiência de minha existência conto histórias.
Sou péssimo com nomes e rostos e a vida das pessoas não me atrai, mas as suas histórias sim.
Cada dia uma nova história, com suas banalidades, com suas expectativas, frustrações, seus sonhos, medos...
Me agrada o caos presente na ordem e a ordem sistemática presente no caos.
E assim levo a vida: entre extremos de crenças e crença nenhuma, entre a criação do novo e a reciclagem do bem e do mau, do belo e do feio.
Entre os diversos meios de retratar a vida, de criar conceitos em empresa, de vender esperanças na harmonia das coisas e das pessoas.
E assim levo a vida, contando histórias.

E-mail: toniolli@gmail.com
Facebook: facebook.com/ebtoniolli




Um presente de natal

De súbito, Laura percebe que uma luz maior que as outras estrelas está se movendo no horizonte. Mas diferente de uma estrela ela irradia um brilho que muda de cor e forma. Quase hipnotizada pelo brilho, Laura percebe que a luz está cada vez maior, até tomar todo o horizonte: não era uma estrela, era um tipo de avião ou nave espacial que agora pousava lentamente no campo ao lado de sua casa.

O medo toma conta de Laura e ela se recorda de seus filhos sozinhos. Corre em direção a casa, mas uma voz a detém:

– Por favor, não tenha medo. Estou aqui para ajudá-la.

Laura olha a redor e vê uma figura humanoide perto de si, na direção da nave. Olhando com mais atenção, percebe que parece um senhor idoso, alto e extremamente magro, com longa barba branca, trajando roupas vermelhas e brancas.

– Papai Noel? Você é o Papai Noel? – diz Laura extremamente surpresa e confusa.

– Não sou o Papai Noel do seu folclore, mas estou aqui pra te dar um presente.

Ainda surpresa, Laura não consegue pronunciar uma palavra sequer.

– Tenho observado que você está muito doente e se não te curar você vai morrer amanhã.

Laura engole a seco. Já se acostumara com a ideia de morrer, mas pensava que teria mais tempo, anos talvez. Como ficariam os seus filhos? Quem iria cuidar deles? A boa notícia do visitante é uma luz de esperança em meio a escuridão que se tornara a sua vida.

– Eu vou te curar e você vai ter uma vida longa e feliz. Mas em troca preciso que você me dê um de seus filhos.

– Não. Meus filhos não. Eles são tudo o que tenho. Não vou me separar deles.

– Veja, amanhã você estará morta e seus filhos ficarão sem mãe. Preciso de um filho seu para ser meu aprendiz. Estou envelhecendo e daqui a alguns anos vou precisar que outro ser tome o meu lugar.

Laura olha para aquele ser alto, que emanava confiança e credibilidade.

– Seu filho vai conhecer outras civilizações, viajar por todo o universo e depois ele vai poder voltar para visitar vocês. Deixe-me te ajudar, me ajude e assim você estará ajudando todo o universo.

Laura não consegue raciocinar direito, mas o visitante está lhe oferecendo uma possibilidade de continuar viva e cuidando de seus filhos. Mas como ela poderia abrir mão da convivência com um de seus filhos?

Páginas: 1 2 3

E. B. Toniolli
Um presente de natal

De súbito, Laura percebe que uma luz maior que as outras estrelas está se movendo no horizonte. Mas diferente de uma estrela ela irradia um brilho que muda de cor e forma. Quase hipnotizada pelo brilho, Laura percebe que a luz está cada vez maior, até tomar todo o horizonte: não era uma estrela, era um tipo de avião ou nave espacial que agora pousava lentamente no campo ao lado de sua casa.

O medo toma conta de Laura e ela se recorda de seus filhos sozinhos. Corre em direção a casa, mas uma voz a detém:

– Por favor, não tenha medo. Estou aqui para ajudá-la.

Laura olha a redor e vê uma figura humanoide perto de si, na direção da nave. Olhando com mais atenção, percebe que parece um senhor idoso, alto e extremamente magro, com longa barba branca, trajando roupas vermelhas e brancas.

– Papai Noel? Você é o Papai Noel? – diz Laura extremamente surpresa e confusa.

– Não sou o Papai Noel do seu folclore, mas estou aqui pra te dar um presente.

Ainda surpresa, Laura não consegue pronunciar uma palavra sequer.

– Tenho observado que você está muito doente e se não te curar você vai morrer amanhã.

Laura engole a seco. Já se acostumara com a ideia de morrer, mas pensava que teria mais tempo, anos talvez. Como ficariam os seus filhos? Quem iria cuidar deles? A boa notícia do visitante é uma luz de esperança em meio a escuridão que se tornara a sua vida.

– Eu vou te curar e você vai ter uma vida longa e feliz. Mas em troca preciso que você me dê um de seus filhos.

– Não. Meus filhos não. Eles são tudo o que tenho. Não vou me separar deles.

– Veja, amanhã você estará morta e seus filhos ficarão sem mãe. Preciso de um filho seu para ser meu aprendiz. Estou envelhecendo e daqui a alguns anos vou precisar que outro ser tome o meu lugar.

Laura olha para aquele ser alto, que emanava confiança e credibilidade.

– Seu filho vai conhecer outras civilizações, viajar por todo o universo e depois ele vai poder voltar para visitar vocês. Deixe-me te ajudar, me ajude e assim você estará ajudando todo o universo.

Laura não consegue raciocinar direito, mas o visitante está lhe oferecendo uma possibilidade de continuar viva e cuidando de seus filhos. Mas como ela poderia abrir mão da convivência com um de seus filhos?

Páginas: 1 2 3