Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. Mattüs
E. Mattüs, ou simplesmente Mattüs – como é conhecido no submundo das artes e agitos psicoquímicos -, é natural de Palmeira dos Índios em Alagoas e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006-2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora de filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, o curta “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, que está lançando em 2016 seu sexto disco recheado de insucessos.




Cão de família

Sr. Belmiro explorava José que sofria dos nervos e bebia pra caralho. José batia em Solange para descontar o que não podia fazer a Belmiro. Solange estapeia com gosto quando a pequena Marinalva faz alvoroço. A pirralha chora até os olhos incharem; depois, com um sorriso radiante e sem culpa, ela marca carreira, prepara um bicudo e acerta o cachorro. O animal sai grunhindo com uma e profunda e constante dor nas costelas. O cão Blob corre agonizante para a calçada, ele sabe que sobreviverá se tomar o antídoto. O dog bebe voraz a água que emana dos canos para o esgoto. Blob engole os dejetos, catarro e urina de seus donos misturados a parasitas lombricoides. O vira lata abana o rabo em sinal de respeito e agradecimento por ter um lar, comida e cuidados médicos. Reflete babando sobre como para cada quilo de boa ração que o mundo lhe dava, a vida lhe cobrava dobrado em escravidão. O conforto tomou de cheio o pobre animal: seus rancores poderiam ser descontados nos gatos, ratos e pernas da rua. Ao fim do expediente familiar, o cão já estava lambendo os pés de sua infante agressora esperando a hora de sua ração e um afago…

 

 

E. Mattüs
Cão de família

Sr. Belmiro explorava José que sofria dos nervos e bebia pra caralho. José batia em Solange para descontar o que não podia fazer a Belmiro. Solange estapeia com gosto quando a pequena Marinalva faz alvoroço. A pirralha chora até os olhos incharem; depois, com um sorriso radiante e sem culpa, ela marca carreira, prepara um bicudo e acerta o cachorro. O animal sai grunhindo com uma e profunda e constante dor nas costelas. O cão Blob corre agonizante para a calçada, ele sabe que sobreviverá se tomar o antídoto. O dog bebe voraz a água que emana dos canos para o esgoto. Blob engole os dejetos, catarro e urina de seus donos misturados a parasitas lombricoides. O vira lata abana o rabo em sinal de respeito e agradecimento por ter um lar, comida e cuidados médicos. Reflete babando sobre como para cada quilo de boa ração que o mundo lhe dava, a vida lhe cobrava dobrado em escravidão. O conforto tomou de cheio o pobre animal: seus rancores poderiam ser descontados nos gatos, ratos e pernas da rua. Ao fim do expediente familiar, o cão já estava lambendo os pés de sua infante agressora esperando a hora de sua ração e um afago…