Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. Mattüs
E. Mattüs, ou simplesmente Mattüs – como é conhecido no submundo das artes e agitos psicoquímicos -, é natural de Palmeira dos Índios em Alagoas e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006-2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora de filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, o curta “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, que está lançando em 2016 seu sexto disco recheado de insucessos.




Frutos de uma Existência Falida (Gore Gore Love II)

Duas da madruga e eu continuava metido naquele maldito boteco observando fixamente meu último Hollywood. Minha existência nunca estivera tão mórbida: meu pai acabara de ter um derrame e meus credores continuavam a me importunar no celular. Sempre tive um ódio natural pelas pessoas. Todos viviam melhor do que eu. Eu era um Zé ninguém! Só me restava esperar os dias passarem e ver tudo piorar. Aquele barzinho era minha fuga. Lá eu estava livre de todos os problemas. Sentia minhas desgraças desaparecerem em um mero copo de cerveja. Quando penso em minha existência percebo que não vale a pena viver. Sinto todo o vazio em minha vidinha de bosta e agora encontro no álcool uma fuga, um fragmento de felicidade. Meu celular já havia tocado milhões de vezes. Acho que Pussy já estava carente em casa. Desde o acidente na fábrica ela nunca mais havia sido a mesma, nem o Prozac simulava seu sorriso. Ela estava átona e nosso casamento havia congelado nos sentimentos. Eu caminhava descontente em direção ao carro quando percebi uma jovem ninfa sentada na calçada. Resolvi me aproximar e comentei:
– Ficar sozinho é um saco não é?
– Por trinta paus tiro sua solidão!
– Você é bem espertinha, mas eu cheguei sem segundas intenções… É melhor eu me mandar porque minha esposa já está aperreando demais…
– Bem, por cinquenta contos dou uma noite inesquecível pra você e a vadia!
Essa poderia ser uma boa oportunidade para reavivar meu amor com Pussy e não pensei duas vezes:
– Entra aí! E a propósito: se chamar a minha mulher de vadia novamente te mato!
– Beleza querido!
No caminho ela me contou que se chamava Brigitty ou Briggy para os íntimos. Tenho certeza que esse não era o seu nome verdadeiro, mas pouco me importava. Se ela também tivesse algum nome para sua xana, aí sim! Poderia até me interessar…
Chegando em casa pedi que ela esperasse no carro. Assim que abri a porta minha querida esposa em sua pesada cadeira de rodas foi logo indagando:
– Quem é essa puta?
– Calma querida, ela é a solução para os nossos problemas…
– Você ficou maluco? Em quê uma quenga pode nos ajudar? Tu és um canalha, Paul!
– Fique tranquila. Eu sei o que estou fazendo!
– Quero só ver onde isso vai parar seu puto!

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E. Mattüs
Frutos de uma Existência Falida (Gore Gore Love II)

Duas da madruga e eu continuava metido naquele maldito boteco observando fixamente meu último Hollywood. Minha existência nunca estivera tão mórbida: meu pai acabara de ter um derrame e meus credores continuavam a me importunar no celular. Sempre tive um ódio natural pelas pessoas. Todos viviam melhor do que eu. Eu era um Zé ninguém! Só me restava esperar os dias passarem e ver tudo piorar. Aquele barzinho era minha fuga. Lá eu estava livre de todos os problemas. Sentia minhas desgraças desaparecerem em um mero copo de cerveja. Quando penso em minha existência percebo que não vale a pena viver. Sinto todo o vazio em minha vidinha de bosta e agora encontro no álcool uma fuga, um fragmento de felicidade. Meu celular já havia tocado milhões de vezes. Acho que Pussy já estava carente em casa. Desde o acidente na fábrica ela nunca mais havia sido a mesma, nem o Prozac simulava seu sorriso. Ela estava átona e nosso casamento havia congelado nos sentimentos. Eu caminhava descontente em direção ao carro quando percebi uma jovem ninfa sentada na calçada. Resolvi me aproximar e comentei:
– Ficar sozinho é um saco não é?
– Por trinta paus tiro sua solidão!
– Você é bem espertinha, mas eu cheguei sem segundas intenções… É melhor eu me mandar porque minha esposa já está aperreando demais…
– Bem, por cinquenta contos dou uma noite inesquecível pra você e a vadia!
Essa poderia ser uma boa oportunidade para reavivar meu amor com Pussy e não pensei duas vezes:
– Entra aí! E a propósito: se chamar a minha mulher de vadia novamente te mato!
– Beleza querido!
No caminho ela me contou que se chamava Brigitty ou Briggy para os íntimos. Tenho certeza que esse não era o seu nome verdadeiro, mas pouco me importava. Se ela também tivesse algum nome para sua xana, aí sim! Poderia até me interessar…
Chegando em casa pedi que ela esperasse no carro. Assim que abri a porta minha querida esposa em sua pesada cadeira de rodas foi logo indagando:
– Quem é essa puta?
– Calma querida, ela é a solução para os nossos problemas…
– Você ficou maluco? Em quê uma quenga pode nos ajudar? Tu és um canalha, Paul!
– Fique tranquila. Eu sei o que estou fazendo!
– Quero só ver onde isso vai parar seu puto!

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