Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. Mattüs
E. Mattüs, ou simplesmente Mattüs – como é conhecido no submundo das artes e agitos psicoquímicos -, é natural de Palmeira dos Índios em Alagoas e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006-2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora de filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, o curta “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, que está lançando em 2016 seu sexto disco recheado de insucessos.




Mundo Final 2.0

A quantificação de fatos, atos e hiatos gerando banalidade, eis o século XXI mostrando suas unhas e te convidando para um vulgar passeio tecnológico. Seu sangue vale menos que uma cerveja, sua vida não chega a R$1,99 e você trancado num quarto escuro com amigos que você provavelmente não conhece pessoalmente. Você mataria sua mãe só pra ter acesso a galeria de fotos do aparelho celular de alguém que você sente muito tesão? Daqui a cem anos, a humanidade terá um novo design competitivo: um amontoado de carne e parafusos, backup de sentimentos para não sofrer, perfumes com odor de graxa e ferro velho. Robocop para presidente! Digito uma senha em meus dentes e os créditos enchem meu estômago.

Estranho pensar que as redes sociais nos fizeram misantropos, Deus não existe quando a conexão é cortada. Bíblia em PDF armazenada no HD cerebral. Um show holográfico me faz desfrutar de prazeres que imitam o real e dispensam a verdadeira carne com cheirinho suave de suor. Filhos entregues por delivery. Trabalho em casa para não me assustar com a visão de outro semelhante na rua. Meio milhão de amigos de mentira trazem meia dose de volátil felicidade. Mas, e a dor? Bem, a dor verdadeira, intensa e profunda continua firme e forte, mas, no meu manual individual, há um parágrafo dizendo que tenho botão pra desligá-la embaixo do lado esquerdo do peito.

 

E. Mattüs
Mundo Final 2.0

A quantificação de fatos, atos e hiatos gerando banalidade, eis o século XXI mostrando suas unhas e te convidando para um vulgar passeio tecnológico. Seu sangue vale menos que uma cerveja, sua vida não chega a R$1,99 e você trancado num quarto escuro com amigos que você provavelmente não conhece pessoalmente. Você mataria sua mãe só pra ter acesso a galeria de fotos do aparelho celular de alguém que você sente muito tesão? Daqui a cem anos, a humanidade terá um novo design competitivo: um amontoado de carne e parafusos, backup de sentimentos para não sofrer, perfumes com odor de graxa e ferro velho. Robocop para presidente! Digito uma senha em meus dentes e os créditos enchem meu estômago.

Estranho pensar que as redes sociais nos fizeram misantropos, Deus não existe quando a conexão é cortada. Bíblia em PDF armazenada no HD cerebral. Um show holográfico me faz desfrutar de prazeres que imitam o real e dispensam a verdadeira carne com cheirinho suave de suor. Filhos entregues por delivery. Trabalho em casa para não me assustar com a visão de outro semelhante na rua. Meio milhão de amigos de mentira trazem meia dose de volátil felicidade. Mas, e a dor? Bem, a dor verdadeira, intensa e profunda continua firme e forte, mas, no meu manual individual, há um parágrafo dizendo que tenho botão pra desligá-la embaixo do lado esquerdo do peito.