Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
E. Mattüs
E. Mattüs, ou simplesmente Mattüs – como é conhecido no submundo das artes e agitos psicoquímicos -, é natural de Palmeira dos Índios em Alagoas e habita o underground maceioense há mais de uma década. A figura surgiu na literatura através do universo dos fanzines, sendo editor do grotesco zine marginal “Spermental” (2006-2013), “O Novo Pagão”, “Histórias pra Belzebu Dormir” e colaborador dezenas de outros zines com malucos de todo o país. O monstro também é roteirista/produtor da degenerada “Scoria Filmes”, produtora de filmes trash/experimentais nascida há mais de uma década e com cerca de 10 trabalhos; dentre eles, o curta “O Panorama da Carne” (2013) e o média metragem “Surf Kaeté” (2015). Não satisfeito em destruir a dignidade da literatura e do cinema, Mattüs ainda participa do projeto antimusical “Power of The Nóia”, que está lançando em 2016 seu sexto disco recheado de insucessos.




Tara

Uma octogenária! A que ponto do fetichismo eu cheguei? Cabelos curtinhos e totalmente grisalhos. Pelo menos metade de seu corpo são pelancas, varizes e rugas. Mãos com as veias de roxo profundo saltando pra fora da pele e as varizes inferiores formam um mapa hidrográfico até seus pequenos pés disformes. Pobres pés, aturar 80 quilos durante quase século deve ser sofrido. O batom vermelho não embeleza, soa como sujeira em sua boca torta. Halitose. O bico do seio esquerdo faz cócegas no umbigo. O direito foi removido há vinte anos, no primeiro de três cânceres distintos. Minha delícia da quarta idade, carne maturada num prazer quase azedo.
Não existem mais roupas! Apenas contemplo a figura arreganhada num sofá que virou cama. Pelo pau e pelas pernas, fico ereto. Ela devora minha glande, suga minha meia idade. Olha fundo em meus olhos e dá sua ordem “Agora, você me chupa!”. Caí de boca mordiscando seus joelhos em direção à própria face do diabo em formato de rachadura. Seguramos um as mãos do outro com força. Tudo era macio e suculento, parecia um imenso playground edificado sob uma enorme bola de carne. A cada centímetro aproximado, o odor era mais forte. Imagine um bacalhau comprado na semana santa, enfiado no cesto de roupas sujas e aberto no Natal. Aumentei a potência da respiração nasal, o cheiro era ímpar. Um sabor amargo ficava emperrado no final da garganta. O líquido lubrificante borbulhava como lava fervendo em seu clitóris, sua fabulosa xoxota envelhecida esperava o toque de minha língua. Prestes a encostar a boca em sua buceta, olhei dentro de seus olhos. Senti um estranho colapso, como se um raio cruzasse minha vista e, de repente, eu estava diante de uma mulher formosa de quase 1,80m. Jeito de balzaquiana, seios fartos e largos quadris. Fechei a boca e respirei fundo, o cheiro era mais doce que Malbec. Senti o sabor vaginal virginal e nem a mais saborosa sobremesa ultrapassaria tamanha refinada doçura. Sei que uns pensam em delírios ou senilidade precoce, outros falam em demência ou trauma psicológico. Eu apenas chamo de “tara”.

E. Mattüs
Tara

Uma octogenária! A que ponto do fetichismo eu cheguei? Cabelos curtinhos e totalmente grisalhos. Pelo menos metade de seu corpo são pelancas, varizes e rugas. Mãos com as veias de roxo profundo saltando pra fora da pele e as varizes inferiores formam um mapa hidrográfico até seus pequenos pés disformes. Pobres pés, aturar 80 quilos durante quase século deve ser sofrido. O batom vermelho não embeleza, soa como sujeira em sua boca torta. Halitose. O bico do seio esquerdo faz cócegas no umbigo. O direito foi removido há vinte anos, no primeiro de três cânceres distintos. Minha delícia da quarta idade, carne maturada num prazer quase azedo.
Não existem mais roupas! Apenas contemplo a figura arreganhada num sofá que virou cama. Pelo pau e pelas pernas, fico ereto. Ela devora minha glande, suga minha meia idade. Olha fundo em meus olhos e dá sua ordem “Agora, você me chupa!”. Caí de boca mordiscando seus joelhos em direção à própria face do diabo em formato de rachadura. Seguramos um as mãos do outro com força. Tudo era macio e suculento, parecia um imenso playground edificado sob uma enorme bola de carne. A cada centímetro aproximado, o odor era mais forte. Imagine um bacalhau comprado na semana santa, enfiado no cesto de roupas sujas e aberto no Natal. Aumentei a potência da respiração nasal, o cheiro era ímpar. Um sabor amargo ficava emperrado no final da garganta. O líquido lubrificante borbulhava como lava fervendo em seu clitóris, sua fabulosa xoxota envelhecida esperava o toque de minha língua. Prestes a encostar a boca em sua buceta, olhei dentro de seus olhos. Senti um estranho colapso, como se um raio cruzasse minha vista e, de repente, eu estava diante de uma mulher formosa de quase 1,80m. Jeito de balzaquiana, seios fartos e largos quadris. Fechei a boca e respirei fundo, o cheiro era mais doce que Malbec. Senti o sabor vaginal virginal e nem a mais saborosa sobremesa ultrapassaria tamanha refinada doçura. Sei que uns pensam em delírios ou senilidade precoce, outros falam em demência ou trauma psicológico. Eu apenas chamo de “tara”.