Ceia de Natal - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Ceia de Natal

*

Beto estava cansado e com fome. Fome daquelas que você não sabe o que é, já que para dar para Graça e Letícia, acabou comendo quase nada nos dois últimos dias. Já estava ficando um pouco tonto, e resolveu tocar a campainha de uma casa, aceitando a derrota.

Tocou a campainha. Pelo portão vazado, dava para ver luzes na casa, dava para ouvir o som. Percebeu também quando, ao tocar pela segunda vez a campainha, as pessoas pareceram falar mais baixo, algumas luzes se apagaram, uma fresta da janela se abriu e cabeças apareceram empilhadas, uma em cima da outra, parecendo querer olhar quem tocava a campainha; percebeu quando mais luzes se apagaram, e até o som foi desligado enquanto ele ainda estava parado em frente ao portão. Percebeu que não era bem-vindo ali, que não queriam ninguém pedindo algo. Decidiu voltar aos sacos de lixo.

 

*

Pedro está dirigindo e olha descaradamente para as pernas de Angélica, que está usando um vestido curtíssimo que do modo como está sentada, deixa aparecer a calcinha de renda vermelha (e os pelos pubianos ruivos que escapam pela renda).

-Para de me olhar com essa cara de tarado…

Pedro sorri e bota a mão direita no meio das pernas de Angélica, pressionando com o dedo médio o centro da calcinha. Angélica faz uma cara de prazer, e Pedro se divide entre dirigir e movimentar o dedo. Angélica abre um pouco mais as pernas e Pedro com um movimento digital enrola a calcinha no dedo médio e tenta puxar a calcinha de Angélica.

– Para, Pedro, olha a palhaçada… A gente já está chegando.

– Hum, é só chegar na ceia de Natal que você vira santinha, é?

Pedro faz mais força para puxar a calcinha, ao mesmo tempo que vai parando o carro em frente ao portão da casa de sua mãe. Angélica fecha as pernas e segura o braço direito de Pedro com uma das mãos. Com a outra, ela abre a porta.

– Parou a brincadeira. Já fez o que queria, não é?

Pedro sorri, olhando fixamente para o meio das pernas de Angélica, onde ainda trava uma luta para tirar a calcinha dela. Ouve um som de Angélica batendo a cabeça, provavelmente na saída do carro, o que a faz abrir subitamente as pernas e desmontar como que desmaiada para fora do carro, e no que tenta acompanhar a queda da amante,  percebe um par de pernas do lado de fora do carro.

– Que isso, a brincadeira está só começando, seu filho da puta!

E com um cabo de enxada, Jorge acerta o meio da testa do irmão, que desmaia no carro.

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Fabiano Soares
Ceia de Natal

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Beto estava cansado e com fome. Fome daquelas que você não sabe o que é, já que para dar para Graça e Letícia, acabou comendo quase nada nos dois últimos dias. Já estava ficando um pouco tonto, e resolveu tocar a campainha de uma casa, aceitando a derrota.

Tocou a campainha. Pelo portão vazado, dava para ver luzes na casa, dava para ouvir o som. Percebeu também quando, ao tocar pela segunda vez a campainha, as pessoas pareceram falar mais baixo, algumas luzes se apagaram, uma fresta da janela se abriu e cabeças apareceram empilhadas, uma em cima da outra, parecendo querer olhar quem tocava a campainha; percebeu quando mais luzes se apagaram, e até o som foi desligado enquanto ele ainda estava parado em frente ao portão. Percebeu que não era bem-vindo ali, que não queriam ninguém pedindo algo. Decidiu voltar aos sacos de lixo.

 

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Pedro está dirigindo e olha descaradamente para as pernas de Angélica, que está usando um vestido curtíssimo que do modo como está sentada, deixa aparecer a calcinha de renda vermelha (e os pelos pubianos ruivos que escapam pela renda).

-Para de me olhar com essa cara de tarado…

Pedro sorri e bota a mão direita no meio das pernas de Angélica, pressionando com o dedo médio o centro da calcinha. Angélica faz uma cara de prazer, e Pedro se divide entre dirigir e movimentar o dedo. Angélica abre um pouco mais as pernas e Pedro com um movimento digital enrola a calcinha no dedo médio e tenta puxar a calcinha de Angélica.

– Para, Pedro, olha a palhaçada… A gente já está chegando.

– Hum, é só chegar na ceia de Natal que você vira santinha, é?

Pedro faz mais força para puxar a calcinha, ao mesmo tempo que vai parando o carro em frente ao portão da casa de sua mãe. Angélica fecha as pernas e segura o braço direito de Pedro com uma das mãos. Com a outra, ela abre a porta.

– Parou a brincadeira. Já fez o que queria, não é?

Pedro sorri, olhando fixamente para o meio das pernas de Angélica, onde ainda trava uma luta para tirar a calcinha dela. Ouve um som de Angélica batendo a cabeça, provavelmente na saída do carro, o que a faz abrir subitamente as pernas e desmontar como que desmaiada para fora do carro, e no que tenta acompanhar a queda da amante,  percebe um par de pernas do lado de fora do carro.

– Que isso, a brincadeira está só começando, seu filho da puta!

E com um cabo de enxada, Jorge acerta o meio da testa do irmão, que desmaia no carro.

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