Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Chatsex_023

Óbvio que eu optava por fuder o máximo que podia as mulheres enjauladas comigo. Mas a empatia, cara… Na verdade, acho que era o oposto de empatia, só estou tentando me passar como bonzinho. Realmente, eu fuderia até acabar com aquelas mulheres, com um pouco de raiva. Não raiva das mulheres, mas a raiva que surge do medo; eu não queria era ser colocado no mesmo lugar que elas. Mas a cabeça é uma merda. Quando eu percebia, estava eu pensando que essas mulheres não queriam fuder comigo tanto quanto eu não queria ser fodido pelos caras – percebe a diferença entre fuder e foder? E começava meu esforço para concentrar e seguir fazendo aquelas mulheres sofrer, para que eu não fosse obrigado a botar para jogo aquele meu buraco onde só o dedinho da mamãe havia estado, e só pra passar Hipoglós… Aí pensava na mãe das garotas que também passavam Hipoglós nelas… Não era empatia porra nenhuma, apenas não há meios de segurar uma ereção se o seu cérebro está pensando em bundinha de bebê com pomada. E lá ia eu sofrer.

Até que passei a estragar todas as cenas, gritava que aquilo era um crime. E foram me passando para cenas cada vez mais extremas. Minha última cena não envolvia picas, mas me empurravam na parte mais dianteira da hélice, sem ser as pás, que estavam rodando. Enquanto a parte pontiaguda entrava na bundinha que mamãe passou talquinho, as hélices cortavam minhas pernas fora. E depois disso, gravaram, por diversão, meus braços sendo cortados pela mesma hélice e me liberaram.

Lembro de ter pensado que saí de um jeito muito bom, pois a outra possibilidade seria algum amigo meu doente que tivesse pago pelos vídeos ter me visto em um deles. Daí ele teria que alertar a polícia, minha família, e seria realmente vergonhoso. Mas eu poderia ter meus membros ainda.

Hoje, inventei uma história completamente diferente para estar desse jeito, sem braços ou pernas. Falei que foi sequestro e que resolveram me deixar assim quando descobriram que eu era pobre. No Rio de Janeiro é uma história bem viável. E escrevo essa história em um tablet, onde bato com a cabeça do meu pau em cada tecla, em um esforço absurdo para não errar. Mentira. Uso um canudo em minha boca e vou, tecla a tecla, escrevendo.

Essa minha história é bem maior. Poderia ter muito mais páginas. Mas falta-me paciência para escrever com a boca. Além do mais, falta-me tempo, pois boa parte dele passo pensando: será que o CumFiesta.com era tão cruel com as atrizes quanto o SeXXXtremeFuck.com foi comigo?

Embora meu pau, meu único membro que sobrou, consiga ter ereções normais, não consigo mais entrar em nenhum site pornográfico.

A empatia. Essa maldita empatia.

 

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Fabiano Soares
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Óbvio que eu optava por fuder o máximo que podia as mulheres enjauladas comigo. Mas a empatia, cara… Na verdade, acho que era o oposto de empatia, só estou tentando me passar como bonzinho. Realmente, eu fuderia até acabar com aquelas mulheres, com um pouco de raiva. Não raiva das mulheres, mas a raiva que surge do medo; eu não queria era ser colocado no mesmo lugar que elas. Mas a cabeça é uma merda. Quando eu percebia, estava eu pensando que essas mulheres não queriam fuder comigo tanto quanto eu não queria ser fodido pelos caras – percebe a diferença entre fuder e foder? E começava meu esforço para concentrar e seguir fazendo aquelas mulheres sofrer, para que eu não fosse obrigado a botar para jogo aquele meu buraco onde só o dedinho da mamãe havia estado, e só pra passar Hipoglós… Aí pensava na mãe das garotas que também passavam Hipoglós nelas… Não era empatia porra nenhuma, apenas não há meios de segurar uma ereção se o seu cérebro está pensando em bundinha de bebê com pomada. E lá ia eu sofrer.

Até que passei a estragar todas as cenas, gritava que aquilo era um crime. E foram me passando para cenas cada vez mais extremas. Minha última cena não envolvia picas, mas me empurravam na parte mais dianteira da hélice, sem ser as pás, que estavam rodando. Enquanto a parte pontiaguda entrava na bundinha que mamãe passou talquinho, as hélices cortavam minhas pernas fora. E depois disso, gravaram, por diversão, meus braços sendo cortados pela mesma hélice e me liberaram.

Lembro de ter pensado que saí de um jeito muito bom, pois a outra possibilidade seria algum amigo meu doente que tivesse pago pelos vídeos ter me visto em um deles. Daí ele teria que alertar a polícia, minha família, e seria realmente vergonhoso. Mas eu poderia ter meus membros ainda.

Hoje, inventei uma história completamente diferente para estar desse jeito, sem braços ou pernas. Falei que foi sequestro e que resolveram me deixar assim quando descobriram que eu era pobre. No Rio de Janeiro é uma história bem viável. E escrevo essa história em um tablet, onde bato com a cabeça do meu pau em cada tecla, em um esforço absurdo para não errar. Mentira. Uso um canudo em minha boca e vou, tecla a tecla, escrevendo.

Essa minha história é bem maior. Poderia ter muito mais páginas. Mas falta-me paciência para escrever com a boca. Além do mais, falta-me tempo, pois boa parte dele passo pensando: será que o CumFiesta.com era tão cruel com as atrizes quanto o SeXXXtremeFuck.com foi comigo?

Embora meu pau, meu único membro que sobrou, consiga ter ereções normais, não consigo mais entrar em nenhum site pornográfico.

A empatia. Essa maldita empatia.

 

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