Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Crônica de uma morte viajada

– E aí, Gustavo, vamos conversar?

Gustavo olhou para o sujeito, sem entender o que estava acontecendo, se era algum conhecido que por culpa da viagem de ácido ele estava apenas enxergando alguma camada nova que ele nunca havia notado.

– Cara… eu só quero…

– Ficar sozinho, eu sei… – interrompeu o fanfarrão. Olha, eu sei muito mais sobre você do que qualquer um, e acredite, acho que gostaria de saber o que eu posso te contar. Vem, tem muita gente aqui.

O rapaz levantou-se e caminhou em direção ao quintal, um lugar que realmente estava mais vazio do que a casa, já que não havia bebida lá fora. Gustavo sem saber muito o porquê, acabou seguindo as estampas berrantes da camisa, com sua percepção de espaço ainda alterada e causando-lhe uma certa vertigem.

Ao chegar no quintal, Gustavo encontrou o estranho encostado em uma pequena árvore que começava a crescer ali, apoiando-se com um dos pés na mesma. Aproximou-se dele, sabendo que ali na casa dele era para ter apenas seus amigos.

– Quem é você, cara? Desculpa, mas eu tô meio…

– Meio chapado? Cara, você tá viajando bonito com esse LSD aí! Você tava tocando altos instrumentos imaginários enquanto tava sentado ali, e pouco antes de olhar pra mim, você tava uivando, cara. Sim, uivando, e o pior, no ritmo da música.

Hahahaha!

Meio constrangido, ele lembrou-se da briga entre baleias gigantes e lobos-do-ártico que passou em sua cabeça há pouco tempo atrás – embora ele não tivesse a certeza que era pouco ou muito tempo atrás. Sorriu sem graça, mas subitamente lembrou-se que não foi respondido.

– Tá, mas… quem é você?

O sujeito abriu um sorriso enorme, empolgado.

– Eu sou um mensageiro. Meu nome é Hermes, mas pode chamar de anjo, de demônio, de alucinação, de epifania, foda-se. O que importa é que sou o cara que vai te falar da tua morte, cara!

Gustavo olhou assustado para ele, mas com um misto de animação. Adorava falar sobre morte, e fantasias de seres sobrenaturais. Achou linda essa doideira toda que o ácido lhe causava; era a primeira vez que conversava com alguém que não existia, no entanto.

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Fabiano Soares
Crônica de uma morte viajada

– E aí, Gustavo, vamos conversar?

Gustavo olhou para o sujeito, sem entender o que estava acontecendo, se era algum conhecido que por culpa da viagem de ácido ele estava apenas enxergando alguma camada nova que ele nunca havia notado.

– Cara… eu só quero…

– Ficar sozinho, eu sei… – interrompeu o fanfarrão. Olha, eu sei muito mais sobre você do que qualquer um, e acredite, acho que gostaria de saber o que eu posso te contar. Vem, tem muita gente aqui.

O rapaz levantou-se e caminhou em direção ao quintal, um lugar que realmente estava mais vazio do que a casa, já que não havia bebida lá fora. Gustavo sem saber muito o porquê, acabou seguindo as estampas berrantes da camisa, com sua percepção de espaço ainda alterada e causando-lhe uma certa vertigem.

Ao chegar no quintal, Gustavo encontrou o estranho encostado em uma pequena árvore que começava a crescer ali, apoiando-se com um dos pés na mesma. Aproximou-se dele, sabendo que ali na casa dele era para ter apenas seus amigos.

– Quem é você, cara? Desculpa, mas eu tô meio…

– Meio chapado? Cara, você tá viajando bonito com esse LSD aí! Você tava tocando altos instrumentos imaginários enquanto tava sentado ali, e pouco antes de olhar pra mim, você tava uivando, cara. Sim, uivando, e o pior, no ritmo da música.

Hahahaha!

Meio constrangido, ele lembrou-se da briga entre baleias gigantes e lobos-do-ártico que passou em sua cabeça há pouco tempo atrás – embora ele não tivesse a certeza que era pouco ou muito tempo atrás. Sorriu sem graça, mas subitamente lembrou-se que não foi respondido.

– Tá, mas… quem é você?

O sujeito abriu um sorriso enorme, empolgado.

– Eu sou um mensageiro. Meu nome é Hermes, mas pode chamar de anjo, de demônio, de alucinação, de epifania, foda-se. O que importa é que sou o cara que vai te falar da tua morte, cara!

Gustavo olhou assustado para ele, mas com um misto de animação. Adorava falar sobre morte, e fantasias de seres sobrenaturais. Achou linda essa doideira toda que o ácido lhe causava; era a primeira vez que conversava com alguém que não existia, no entanto.

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