Maldohorror - Coletivo de escritores fantásticos e malditos.
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Crônica de uma morte viajada

– Uau! Haha, cara, conta aí, espero que eu lembre disso amanhã.

O mensageiro sorriu contido e sentou-se, sendo acompanhado em seguida pelo anfitrião.

– Vai lembrar sim, Gustavo. Vai lembrar por conta do desespero, mas espero que isso não te atrapalhe. Veja isso como uma chance de aproveitar a vida como poucos têm. Nem todo mundo recebe essa mensagem.

O clima, que era tão amistoso e de animação, começou a ficar estranhamente pesado, com o tom de Hermes ficando cada vez mais sério. Ele continuou.

– Você vai morrer daqui a pouco mais de uma semana. Exatamente na madrugada de domingo para segunda, às 3:33.

Gustavo ficou sério, chocado com a revelação, com o modo como a mensagem estava sendo passada. Uma fala carregada de pesar e de pena, disfarçada com um sorriso, amenizou o clima.

– É metade de 666, né? Hehe isso aí fui eu que negociei pra você, porque eu sei que você se amarra nessas coisas. Eu também curto essas zoações, Gustavo.

O anfitrião estava tenso, e arrancava alguns matos do chão, deixando-o com as unhas cheias de terra, enquanto pensava no que estava sendo dito para ele.

– Você é minha pior bad trip, cara. Tô ficando assustado…

Hermes abraçou-o, chegando novamente próximo a ele, como um amigo íntimo bêbado querendo animá-lo após alguma notícia péssima.

– Cara, como eu disse: veja isso como uma chance. Você está sendo avisado, eu nunca faço isso assim, explicitamente, mas eu acho você maneiro, mesmo. E lógico, o LSD ajudou bastante para eu poder fazer essa comunicação extra-sensorial.

– Porra, você existe ou não existe? Vou ficar com um cagaço de morrer essa semana… – Gustavo olhava diretamente para os olhos do mensageiro, e o que ele via ali era um pouco de compaixão e… verdade.

Hermes agarrou sua cabeça colocando-a entre suas mãos abertas, puxou-o para muito perto, e para que olhasse frontalmente em seus olhos, sem poder fugir do que via, e falou sério com ele.

– Você não vai morrer durante essa semana, Gustavo. Você morrerá na madrugada de domingo para segunda, às 3:33.

Entendeu? Madrugada de domingo para segunda, às 3:33. Preciso repetir?

– Não…

Gustavo voltou a olhar para o matinho que ele arrancava inconscientemente da terra, cabisbaixo. Hermes começou a levantar-se.

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Fabiano Soares
Crônica de uma morte viajada

– Uau! Haha, cara, conta aí, espero que eu lembre disso amanhã.

O mensageiro sorriu contido e sentou-se, sendo acompanhado em seguida pelo anfitrião.

– Vai lembrar sim, Gustavo. Vai lembrar por conta do desespero, mas espero que isso não te atrapalhe. Veja isso como uma chance de aproveitar a vida como poucos têm. Nem todo mundo recebe essa mensagem.

O clima, que era tão amistoso e de animação, começou a ficar estranhamente pesado, com o tom de Hermes ficando cada vez mais sério. Ele continuou.

– Você vai morrer daqui a pouco mais de uma semana. Exatamente na madrugada de domingo para segunda, às 3:33.

Gustavo ficou sério, chocado com a revelação, com o modo como a mensagem estava sendo passada. Uma fala carregada de pesar e de pena, disfarçada com um sorriso, amenizou o clima.

– É metade de 666, né? Hehe isso aí fui eu que negociei pra você, porque eu sei que você se amarra nessas coisas. Eu também curto essas zoações, Gustavo.

O anfitrião estava tenso, e arrancava alguns matos do chão, deixando-o com as unhas cheias de terra, enquanto pensava no que estava sendo dito para ele.

– Você é minha pior bad trip, cara. Tô ficando assustado…

Hermes abraçou-o, chegando novamente próximo a ele, como um amigo íntimo bêbado querendo animá-lo após alguma notícia péssima.

– Cara, como eu disse: veja isso como uma chance. Você está sendo avisado, eu nunca faço isso assim, explicitamente, mas eu acho você maneiro, mesmo. E lógico, o LSD ajudou bastante para eu poder fazer essa comunicação extra-sensorial.

– Porra, você existe ou não existe? Vou ficar com um cagaço de morrer essa semana… – Gustavo olhava diretamente para os olhos do mensageiro, e o que ele via ali era um pouco de compaixão e… verdade.

Hermes agarrou sua cabeça colocando-a entre suas mãos abertas, puxou-o para muito perto, e para que olhasse frontalmente em seus olhos, sem poder fugir do que via, e falou sério com ele.

– Você não vai morrer durante essa semana, Gustavo. Você morrerá na madrugada de domingo para segunda, às 3:33.

Entendeu? Madrugada de domingo para segunda, às 3:33. Preciso repetir?

– Não…

Gustavo voltou a olhar para o matinho que ele arrancava inconscientemente da terra, cabisbaixo. Hermes começou a levantar-se.

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