Dia 1: Sobrevivência - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Dia 1: Sobrevivência

Olho o mapa. Piscinas a serem invadidas durante o percurso, mar aberto que serve de refúgio. Bolsa fechada a vácuo para que os mergulhos não enferrujem as armas nem molhe os livros: Ok! A caminhada rumo ao aeroporto é longa e o calor está, literalmente, matador. O clima nas ruas é de guerra, então, preciso partir antes que todos tenham a mesma ideia: conseguir na brutalidade uma passagem para a Dinamarca, Suécia ou qualquer lugar onde eu consiga sobreviver, diferente dos 87º do Rio de Janeiro – pois a inflação desses bilhetes, devido à lógica do livre mercado, fez atingir valores que apenas quem já roubou mais do que pode gastar em vida tem a chance de comprá-los. E, sim, onde eu possa refrescar meu saco. Tudo gira em torno da região pélvica depois de certa idade.
Abro a porta. Minhas narinas queimam por dentro, preciso acostumar-me. É hora de sair. Espero que volte a escrever no espaço para o Dia 2.

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Fabiano Soares
Dia 1: Sobrevivência

Olho o mapa. Piscinas a serem invadidas durante o percurso, mar aberto que serve de refúgio. Bolsa fechada a vácuo para que os mergulhos não enferrujem as armas nem molhe os livros: Ok! A caminhada rumo ao aeroporto é longa e o calor está, literalmente, matador. O clima nas ruas é de guerra, então, preciso partir antes que todos tenham a mesma ideia: conseguir na brutalidade uma passagem para a Dinamarca, Suécia ou qualquer lugar onde eu consiga sobreviver, diferente dos 87º do Rio de Janeiro – pois a inflação desses bilhetes, devido à lógica do livre mercado, fez atingir valores que apenas quem já roubou mais do que pode gastar em vida tem a chance de comprá-los. E, sim, onde eu possa refrescar meu saco. Tudo gira em torno da região pélvica depois de certa idade.
Abro a porta. Minhas narinas queimam por dentro, preciso acostumar-me. É hora de sair. Espero que volte a escrever no espaço para o Dia 2.

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