Efeito borboleta - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Efeito borboleta

A garota circulava em uma pequena área, chutava o ar, os olhos sempre em Marcelo; bebericava o copo de vinho, os olhos em Marcelo, e ele sempre no meio dos amigos. Quando poderia aproximar-se e encenar um esbarrão ocasional, dizer “e aí, veio curtir o show?” Já tinha pensado nas falas, em todas as possibilidade de respostas que ele daria, e em suas tréplicas para prendê-lo na conversa. Em sua cabeça rolava um papo hipotético desses quando olhou e percebeu que o garoto estava sozinho. Havia começado a banda que faria cover de Slipknot, essa era sua chance.

Subiu um pouco a saia para o umbigo e dobrou-a para baixo, para ficar um pouco mais curta; virou o copo de vinho que estava inteiro, quente, em sua mão há mais de uma hora; passou as mãos no cabelo, endireitando-o, e saiu em direção a Marcelo.
Chegando perto, desistiu de esbarrar, e preferiu uma abordagem mais comum, embora o álcool marcasse presença no arrastar da fala de Daniela.

– E aí, Marcelo! Você por aqui?

O garoto parou o gole na cerveja e virou-se para ver quem falava com ele.

– Fala… Daniela, né? É… vim mais pra falar com o pessoal, nem gosto dessas bandas aí não.

Os beijos trocados traziam bons sentimentos a Daniela – de olhos fechados e sob o efeito do vinho em pessoas que não costumam beber.

– É… É… eu vim pra… pra ver os shows…

Daniela balançava a cabeça, em negativa; tanto treino para isso?

-… pra ver… você…

Ela riu, corou instantaneamente e olhou para os lados, desviando o olhar de Marcelo. Ele riu e mandou a cerveja pra dentro, inspirando e inflando o peito.

– Dani, eu já tava de saída. Não curto esses new metal e a galera foi toda ver esse cover oficial, com máscaras dos caras e tal…

Os olhos de Marcelo percorriam o corpo de Daniela, e a garota sorria, voltando a encará-lo.

– … se você não for ficar pra assistir, a gente podia dar uma volta, conversar, sei lá.

– Claro! Nem gosto de Slipknot mesmo… Podemos conversar sim!

Marcelo insinuou o caminho para fora do ambiente, e ao cruzar o portão, colocou o braço sobre os ombros de Daniela.

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Fabiano Soares
Efeito borboleta

A garota circulava em uma pequena área, chutava o ar, os olhos sempre em Marcelo; bebericava o copo de vinho, os olhos em Marcelo, e ele sempre no meio dos amigos. Quando poderia aproximar-se e encenar um esbarrão ocasional, dizer “e aí, veio curtir o show?” Já tinha pensado nas falas, em todas as possibilidade de respostas que ele daria, e em suas tréplicas para prendê-lo na conversa. Em sua cabeça rolava um papo hipotético desses quando olhou e percebeu que o garoto estava sozinho. Havia começado a banda que faria cover de Slipknot, essa era sua chance.

Subiu um pouco a saia para o umbigo e dobrou-a para baixo, para ficar um pouco mais curta; virou o copo de vinho que estava inteiro, quente, em sua mão há mais de uma hora; passou as mãos no cabelo, endireitando-o, e saiu em direção a Marcelo.
Chegando perto, desistiu de esbarrar, e preferiu uma abordagem mais comum, embora o álcool marcasse presença no arrastar da fala de Daniela.

– E aí, Marcelo! Você por aqui?

O garoto parou o gole na cerveja e virou-se para ver quem falava com ele.

– Fala… Daniela, né? É… vim mais pra falar com o pessoal, nem gosto dessas bandas aí não.

Os beijos trocados traziam bons sentimentos a Daniela – de olhos fechados e sob o efeito do vinho em pessoas que não costumam beber.

– É… É… eu vim pra… pra ver os shows…

Daniela balançava a cabeça, em negativa; tanto treino para isso?

-… pra ver… você…

Ela riu, corou instantaneamente e olhou para os lados, desviando o olhar de Marcelo. Ele riu e mandou a cerveja pra dentro, inspirando e inflando o peito.

– Dani, eu já tava de saída. Não curto esses new metal e a galera foi toda ver esse cover oficial, com máscaras dos caras e tal…

Os olhos de Marcelo percorriam o corpo de Daniela, e a garota sorria, voltando a encará-lo.

– … se você não for ficar pra assistir, a gente podia dar uma volta, conversar, sei lá.

– Claro! Nem gosto de Slipknot mesmo… Podemos conversar sim!

Marcelo insinuou o caminho para fora do ambiente, e ao cruzar o portão, colocou o braço sobre os ombros de Daniela.

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