Efeito borboleta - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Efeito borboleta

– Eu podia, mas a gente pode se ver outro dia…

– Você falou que foi para me ver… Foi de saia… Saiu do show pra conversar comigo… Quis pegar um ar condicionado no meu carro… Qual é… Vai dizer que não tá querendo?

A mão do garoto forçou para continuar o movimento, e era muito mais forte do que o braço de Daniela conseguia resistir. Ela usou então as duas mãos para afastar a mão dele de seu corpo. Franzindo a testa, o garoto recuou.

– Marcelo… Eu tava querendo te conhecer. A gente se conheceu, conversou na praça… eu só quero ir pra casa e depois a gente marca outro dia. 

Clanc!

Marcelo ativou as travas e as portas se fecharam. Abriu um sorriso e com as duas mãos em forma de gancho avançou lentamente em direção ao torso de Daniela.

– Ah, não… Me provocou, vai me dar pelo menos uma provinha…

 

V – O Efeito Borboleta 

Teve início uma pequena luta corporal, e um dos lados viu-se surpreendido pela violência de quem não se espera. Um entra e sai frenético começava, fazendo com que gemidos de dor abafados morressem dentro do carro. O ambiente agora começava a aquecer, mesmo com o ar condicionado ligado; uma respiração ofegante ressoava como um pedido de clemência, friamente negado. Seguiram-se várias estocadas; estocadas curtas e rápidas no início, e quanto menos havia resistência, tornavam-se mais profundas e lentas, incluindo penetrações com giros e outras firulas internas. Em poucos segundos, fluidos corporais já melavam as roupas e os corpos dos dois.

As estocadas cessaram.

Daniela empurrou Marcelo de volta para o banco do motorista. Ela procurou o botão para destravar as portas, e apertou. Abriu a porta e, antes de sair, deu uma cuspida no rosto de Marcelo, cujo corpo jazia, tombado com a cabeça no vidro.

Ela limpou o sangue de sua faca borboleta, guardou-a na bolsa e seguiu a pé para casa, assobiando “Girls just wanna have fun“. 

 

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Fabiano Soares
Efeito borboleta

– Eu podia, mas a gente pode se ver outro dia…

– Você falou que foi para me ver… Foi de saia… Saiu do show pra conversar comigo… Quis pegar um ar condicionado no meu carro… Qual é… Vai dizer que não tá querendo?

A mão do garoto forçou para continuar o movimento, e era muito mais forte do que o braço de Daniela conseguia resistir. Ela usou então as duas mãos para afastar a mão dele de seu corpo. Franzindo a testa, o garoto recuou.

– Marcelo… Eu tava querendo te conhecer. A gente se conheceu, conversou na praça… eu só quero ir pra casa e depois a gente marca outro dia. 

Clanc!

Marcelo ativou as travas e as portas se fecharam. Abriu um sorriso e com as duas mãos em forma de gancho avançou lentamente em direção ao torso de Daniela.

– Ah, não… Me provocou, vai me dar pelo menos uma provinha…

 

V – O Efeito Borboleta 

Teve início uma pequena luta corporal, e um dos lados viu-se surpreendido pela violência de quem não se espera. Um entra e sai frenético começava, fazendo com que gemidos de dor abafados morressem dentro do carro. O ambiente agora começava a aquecer, mesmo com o ar condicionado ligado; uma respiração ofegante ressoava como um pedido de clemência, friamente negado. Seguiram-se várias estocadas; estocadas curtas e rápidas no início, e quanto menos havia resistência, tornavam-se mais profundas e lentas, incluindo penetrações com giros e outras firulas internas. Em poucos segundos, fluidos corporais já melavam as roupas e os corpos dos dois.

As estocadas cessaram.

Daniela empurrou Marcelo de volta para o banco do motorista. Ela procurou o botão para destravar as portas, e apertou. Abriu a porta e, antes de sair, deu uma cuspida no rosto de Marcelo, cujo corpo jazia, tombado com a cabeça no vidro.

Ela limpou o sangue de sua faca borboleta, guardou-a na bolsa e seguiu a pé para casa, assobiando “Girls just wanna have fun“. 

 

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