Homicídio - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Homicídio

Hora de matar.
Você agüentou por muito tempo essa convivência escrota, absurda, apenas por um puro moralismo. Sim, uma fraqueza moral, para dizer a verdade: não conseguia aceitar a ideia de matar. Mas se passam os anos, a convivência diária vai ficando insuportável e você percebe que ela merece ser morta.
Bateu o martelo, finalmente, seu frouxo! O negócio agora é decidir “como”. Bom, minha opinião, você sabe: evitar o uso de armas de fogo; muita bagunça para pouca criatividade. Machado é sempre uma boa pedida, senhor. Sim, sim. Brutal, primitivo, sem muita firula. Mas é necessária habilidade e frieza para matar; não basta aleijar ou causar danos. Facão, ok, também. Cortes são bonitos, chocam e permitem os mais diversos ataques aos pontos mais variados do corpo. Acertando um letal, tudo certo.
Ah, o convívio com ela começou cedo, não? Quanto tempo faz? 20 anos? Pouco mais? Enfim… ela começou chegando-se, inocente, e foi crescendo em importância na sua vida. Quantas coisas você fez por causa dela? Tudo o que ela lhe inspirou… Surgiram coisas bonitas, de verdade. Mas quando chega a hora, não tem jeito.
Vá lá. Mate-a.

Eu sempre adoro quando chega a hora de matá-la.
Ela.
A vontade de suicidar-se.

Fabiano Soares
Homicídio

Hora de matar.
Você agüentou por muito tempo essa convivência escrota, absurda, apenas por um puro moralismo. Sim, uma fraqueza moral, para dizer a verdade: não conseguia aceitar a ideia de matar. Mas se passam os anos, a convivência diária vai ficando insuportável e você percebe que ela merece ser morta.
Bateu o martelo, finalmente, seu frouxo! O negócio agora é decidir “como”. Bom, minha opinião, você sabe: evitar o uso de armas de fogo; muita bagunça para pouca criatividade. Machado é sempre uma boa pedida, senhor. Sim, sim. Brutal, primitivo, sem muita firula. Mas é necessária habilidade e frieza para matar; não basta aleijar ou causar danos. Facão, ok, também. Cortes são bonitos, chocam e permitem os mais diversos ataques aos pontos mais variados do corpo. Acertando um letal, tudo certo.
Ah, o convívio com ela começou cedo, não? Quanto tempo faz? 20 anos? Pouco mais? Enfim… ela começou chegando-se, inocente, e foi crescendo em importância na sua vida. Quantas coisas você fez por causa dela? Tudo o que ela lhe inspirou… Surgiram coisas bonitas, de verdade. Mas quando chega a hora, não tem jeito.
Vá lá. Mate-a.

Eu sempre adoro quando chega a hora de matá-la.
Ela.
A vontade de suicidar-se.