Maldita Greed - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Maldita Greed

Pedro pensou rapidamente, e nem olhou para o pai, para perguntar. Deixou um pouco a pressa de lado, imaginando que os competidores não faziam ideia de quem era Pica-Pau, sequer Leôncio. A luz vermelha, indicando que já podia bater no botão, para ganhar o direito da resposta, acendeu e Pedro foi calmamente bater para responder. Bateu, mas sentiu como se tivesse ouvido o barulho da sirene milissegundos antes de realmente bater. E no que foi responder, ouviu o apresentador:
– Pode responder, Paula!
Paula??? Sim, Pedro perdera a chance de acabar com aquele jogo naquela pergunta, a qual ele sabia a resposta (“leão-marinho, é óbvio!”), e Paula, infelizmente também sabia. Mas agora, a dupla de Paula contava com apenas 2.200 pontos, e Pedro pensou alto (o pai chegou a ouvir, inclusive):
– Agora acabou a brincadeira, vou jogar sério agora!
A próxima pergunta começou e Pedro desanimou na mesma hora.
– Qual o nome do autor do livro 1984?
Embora gostasse de ler, não sabia nomes de autor algum! Alguns livros ele sequer lembrava o nome… Mas o pai deu dois toques no ombro de Pedro, e isso o fez sorrir, para logo depois conter o sorriso – pois viu que a confiança excessiva o levou a um relaxamento que poderia tirar o seu precioso minuto, o que o faria perder, psicologicamente, mais de dois anos de vida – , pois sabia que esse era o código para seu pai dizer que sabia uma resposta.
Pedro semicerrou os olhos, e era como se tivesse amarrado uma fita na cabeça, tipo o Rambo; ele colocou a mão direita atrás de sua orelha direita, e cheio de raiva e esperança, no que foi permitido bater no botão, foi com toda a fome do mundo! Ele bateu no botão, mas como estava com pressa, parece que bateu meio de lado, e não computou a batida dele. Quando ele percebeu que já havia um tempo da batida e nenhuma sirene soou, faltou um pouco de ar em sua garganta, e tentando desesperadamente bater no botão antes de outra dupla, ele bateu de novo, e de novo, e de novo, até que viu as luzes vermelhas rodando, e ainda assim não tinha a certeza que era a sua batida computada; sentia-se em um complô!
– Calma, calma, Pedrão! Já foi pra você, essa! – disse o apresentador, rindo, e quando Pedro olhou para os lados, nenhuma das outras duplas havia sequer levantado a mão. Como era bom viver em um país de burros, pensou Pedro.

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Maldita Greed

Pedro pensou rapidamente, e nem olhou para o pai, para perguntar. Deixou um pouco a pressa de lado, imaginando que os competidores não faziam ideia de quem era Pica-Pau, sequer Leôncio. A luz vermelha, indicando que já podia bater no botão, para ganhar o direito da resposta, acendeu e Pedro foi calmamente bater para responder. Bateu, mas sentiu como se tivesse ouvido o barulho da sirene milissegundos antes de realmente bater. E no que foi responder, ouviu o apresentador:
– Pode responder, Paula!
Paula??? Sim, Pedro perdera a chance de acabar com aquele jogo naquela pergunta, a qual ele sabia a resposta (“leão-marinho, é óbvio!”), e Paula, infelizmente também sabia. Mas agora, a dupla de Paula contava com apenas 2.200 pontos, e Pedro pensou alto (o pai chegou a ouvir, inclusive):
– Agora acabou a brincadeira, vou jogar sério agora!
A próxima pergunta começou e Pedro desanimou na mesma hora.
– Qual o nome do autor do livro 1984?
Embora gostasse de ler, não sabia nomes de autor algum! Alguns livros ele sequer lembrava o nome… Mas o pai deu dois toques no ombro de Pedro, e isso o fez sorrir, para logo depois conter o sorriso – pois viu que a confiança excessiva o levou a um relaxamento que poderia tirar o seu precioso minuto, o que o faria perder, psicologicamente, mais de dois anos de vida – , pois sabia que esse era o código para seu pai dizer que sabia uma resposta.
Pedro semicerrou os olhos, e era como se tivesse amarrado uma fita na cabeça, tipo o Rambo; ele colocou a mão direita atrás de sua orelha direita, e cheio de raiva e esperança, no que foi permitido bater no botão, foi com toda a fome do mundo! Ele bateu no botão, mas como estava com pressa, parece que bateu meio de lado, e não computou a batida dele. Quando ele percebeu que já havia um tempo da batida e nenhuma sirene soou, faltou um pouco de ar em sua garganta, e tentando desesperadamente bater no botão antes de outra dupla, ele bateu de novo, e de novo, e de novo, até que viu as luzes vermelhas rodando, e ainda assim não tinha a certeza que era a sua batida computada; sentia-se em um complô!
– Calma, calma, Pedrão! Já foi pra você, essa! – disse o apresentador, rindo, e quando Pedro olhou para os lados, nenhuma das outras duplas havia sequer levantado a mão. Como era bom viver em um país de burros, pensou Pedro.

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