Maldita Greed - Fabiano Soares
Fabiano Soares
Formado em jornalismo, detesta jornalismo. Escrito assim em terceira pessoa parece melhor para uma minibiografia. Fabiano tenta se dedicar a muitas coisas, levando-se pela paixão das diversas formas de artes: música, textos, filmes. E é nessa esquizofrenia de interesses, onde tenta dedicar-se um pouco a cada coisa que acaba como um jornalista: sabendo nada de muita coisa. Não sabe fazer música, não sabe escrever textos e não sabe fazer filmes. Mas tenta fazer tudo isso e segue, literalmente, amador. É isso mesmo que ele quer. Apaixonado também por temas sombrios e por uma sombria vontade de avacalhar temas sombrios, não consegue fazer nada sério, portanto, não criem expectativas. Divirtam-se, ou não.
E-mail: fabianocabeludo@yahoo.com.br
Facebook: facebook.com/fabiano. cabeludosoares






Maldita Greed

E ainda teve tempo de pensar que orgulhava-se de seu pai, e que gostaria de ser como ele no futuro.
Pedro agora olhou para o pai, trêmulo e quase chorando. Não sabia o porquê de estar quase chorando, mas percebeu que olhava para o pai com água nos olhos, esperançoso, como um cão abandonado pede a um passante que realize seu sonho – no caso do cão, um lar com amor; no caso de Pedro, um minuto no supermercado.
– George Orwell – disse o pai, firme.
Ele passou a mão na cabeça de Pedro, e o apresentador nem havia dito ainda que essa resposta estava correta, mas ele sentiu a segurança do pai, e relaxou, e as lágrimas começaram a correr por seu rosto.
– Correto! Vocês despacharam as duas duplas com pouco mais da metade do programa! Então, ganharão um extra de um minuto na hora do supermercado! Ou seja, terão não um, mas DOIS MINUTOS para fazerem a compra. E podem decidir se haverá troca de participante, ou se apenas um vai fazer realmente…
A mesma segurança que o pai havia demonstrado com o passar de mãos na cabeça do filho, Pedro demonstrou ao olhar para o pai. O olhar dizia “deixa comigo!” E como haviam feito o trato já, o pai deixou tranqüilamente.
O momento havia chegado. Pedro estava tranqüilo e animadíssimo – tinha medo até que alguma merda fosse acontecer, pois sempre que se cria uma expectativa exacerbada sobre algo, tende a chegar logo depois uma decepção sem fim. O apresentador entregou a ele os aparatos (capacete, joelheira, ombreira), o carrinho de supermercados e explicou as regras: basicamente ele não poderia deixar cair mais do que 20 produtos no chão, ou a gincana terminaria, independente do tempo que faltasse ainda.
3, 2, 1, VAI!
Pedro correu com o carrinho, e estrategicamente a primeira fila que estava era a dos biscoitos e variados (cereais, chocolate, bombons, etc). Colocou muita coisa no carrinho, e partiu para a parte de bolos, onde pegou leite condensado, creme de leite, massa de bolo, leite em pó, coisas que sabia que sua mãe sempre reclamava de estarem caras. Partiu para a seção de queijos, e o carrinho não estava nem pela metade ainda: pegou os queijos mais caros (ele adorava queijo, e como todo bom gordinho – ou ex-gordinho -, ficava vendo preços no supermercado), e aqueles com as embalagens mais bonitas também. O apresentador anunciou bem alto que tinham passado 30 segundos.

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Maldita Greed

E ainda teve tempo de pensar que orgulhava-se de seu pai, e que gostaria de ser como ele no futuro.
Pedro agora olhou para o pai, trêmulo e quase chorando. Não sabia o porquê de estar quase chorando, mas percebeu que olhava para o pai com água nos olhos, esperançoso, como um cão abandonado pede a um passante que realize seu sonho – no caso do cão, um lar com amor; no caso de Pedro, um minuto no supermercado.
– George Orwell – disse o pai, firme.
Ele passou a mão na cabeça de Pedro, e o apresentador nem havia dito ainda que essa resposta estava correta, mas ele sentiu a segurança do pai, e relaxou, e as lágrimas começaram a correr por seu rosto.
– Correto! Vocês despacharam as duas duplas com pouco mais da metade do programa! Então, ganharão um extra de um minuto na hora do supermercado! Ou seja, terão não um, mas DOIS MINUTOS para fazerem a compra. E podem decidir se haverá troca de participante, ou se apenas um vai fazer realmente…
A mesma segurança que o pai havia demonstrado com o passar de mãos na cabeça do filho, Pedro demonstrou ao olhar para o pai. O olhar dizia “deixa comigo!” E como haviam feito o trato já, o pai deixou tranqüilamente.
O momento havia chegado. Pedro estava tranqüilo e animadíssimo – tinha medo até que alguma merda fosse acontecer, pois sempre que se cria uma expectativa exacerbada sobre algo, tende a chegar logo depois uma decepção sem fim. O apresentador entregou a ele os aparatos (capacete, joelheira, ombreira), o carrinho de supermercados e explicou as regras: basicamente ele não poderia deixar cair mais do que 20 produtos no chão, ou a gincana terminaria, independente do tempo que faltasse ainda.
3, 2, 1, VAI!
Pedro correu com o carrinho, e estrategicamente a primeira fila que estava era a dos biscoitos e variados (cereais, chocolate, bombons, etc). Colocou muita coisa no carrinho, e partiu para a parte de bolos, onde pegou leite condensado, creme de leite, massa de bolo, leite em pó, coisas que sabia que sua mãe sempre reclamava de estarem caras. Partiu para a seção de queijos, e o carrinho não estava nem pela metade ainda: pegou os queijos mais caros (ele adorava queijo, e como todo bom gordinho – ou ex-gordinho -, ficava vendo preços no supermercado), e aqueles com as embalagens mais bonitas também. O apresentador anunciou bem alto que tinham passado 30 segundos.

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